Brasil tem condições para acelerar crescimento, diz Fiocca

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Demian Fiocca, disse nesta terça-feira, 13, que os investimentos devem crescer mais este ano em comparação ao ano passado e que o Brasil tem todas as condições para acelerar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Para ele, não há riscos de um crescimento mais acelerado. "Talvez o Brasil esteja numa das melhores plataformas do ponto de vista de fundamentos para crescer das últimas décadas. Não vejo nenhuma nuvem no horizonte", afirmou em entrevista à Agência Estado. Segundo Fiocca, o Brasil sofreu por um longo período, pelo menos 25 anos, com descontrole de inflação, dificuldades com balanço de pagamentos, dúvidas na área fiscal e também de natureza política ou institucional. "Acho que superamos todas essas fragilidades. Temos uma trajetória de dívida pública em queda, balanço de pagamentos com números excepcionalmente bons, inflação até abaixo da meta e claramente uma estabilidade política e institucional", explicou. Fiocca vê continuidade dos investimentos em insumos básicos, como papel e celulose, petroquímica e siderurgia, além de um crescimento "bem distribuído" na indústria. Ele destacou ainda as perspectivas de aceleração do crescimento em infra-estrutura. "Acredito que o setor está bastante estruturado para crescer de maneira mais robusta", disse Fiocca, para quem o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) servirá de alavanca para o setor. JuroO presidente do BNDES afirmou que a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), em 6,5%, "está em um nível atraente para investimento". A TJLP é usada nos financiamentos concedidos pelo BNDES, acrescida pelo spread da instituição federal e, se for o caso, pelo de agente financeiro repassador dos recursos.Ele também considera que os spreads (diferença entre juros pagos pelos bancos na captação e os cobrados nos empréstimos) cobrados pelo banco estão em nível adequado, depois de terem passado por reduções nos últimos anos. De acordo com ele, o lucro recorde do BNDES no ano passado, de R$ 6,3 bilhões, "não vem de spreads altos". O presidente explicou que esse resultado veio em grande parte de ganhos atípicos com recuperação de crédito (R$ 2,8 bilhões) e com operações de renda variável (R$ 2,4 bilhões), como dividendos pagos por empresas e vendas de ações. O lucro com os spreads foi de apenas R$ 1 bilhão, o que não considera ser um patamar alto que abra espaço para novas reduções dos spreads.OfertaSegundo Fiocca, O BNDES está preparado para o aumento da oferta. "Estamos preparados para o aumento da oferta. Na verdade, mais do que preparados apenas de maneira moral ou como perspectiva. Nós estamos verificando já isto", disse.De acordo com ele, isso pode ser observado pela expansão do valor total das operações aprovadas pelo BNDES de apoio a investimentos. Nos últimos 12 meses até janeiro, este valor alcançou R$ 79,167 bilhões, 43% mais do que no período imediatamente anterior de 12 meses, terminado em janeiro de 2006."As aprovações mostram a concretização de duas coisas. Primeiro, a disposição dos investidores de empreender, de fazerem seu investimento e crescerem. E em segundo lugar a capacidade do BNDES de responder a essa demanda", disse. "Estamos preparados e vendo dados muito concretos, concretizados em aprovações que indicam expansão da oferta", repetiu. Fiocca não comentou as preocupações do Banco Central com o aumento da demanda.Fiocca disse que o banco está preparado para o crescimento da oferta tanto do ponto de vista operacional quanto pelo volume de recursos necessários para o futuro desembolso que essas aprovações vão provocar. O presidente do BNDES disse ainda que nenhum membro do primeiro escalão do governo poderia responder se vão manter seus cargos porque "não seria adequado falar sobre o próprio futuro". FerroviasFiocca disse que a parte logística do Brasil está melhor hoje para comportar um crescimento mais acelerado do País. "Nós estamos verificando nos últimos dois, três anos um avanço positivo em ferrovias", salientou. Segundo ele, havia nós no setor que foram solucionados. "Vemos esse setor investindo", acrescentou. O presidente do BNDES espera que os investimentos em portos também avance e disse que o setor elétrico está preparado para permitir que o País cresça. "O modelo atual do setor elétrico tem como reagir ao aumento da demanda. Hoje o investimento (no setor) se tornou mais atraente", afirmou. "O investimento em energia sempre terá que se balizar pelo crescimento da demanda." Matéria alterada às 18h14 para acréscimo de informações

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