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''''Brasil tem de agregar valor ao seu produto''''

País não pode apenas fornecer matéria-prima, diz Dilma

Kelly Lima, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2014 | 00h00

O Brasil tem de se cuidar para não se transformar em mero fornecedor de matéria-prima para a produção do biocombustível europeu. O alerta foi dado ontem pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, em seminário sobre o tema no Rio. Segundo ela, existe o risco de novas barreiras serem impostas pela União Européia, com objetivo de incentivar a produção própria. "Não é nada interessante para o Brasil que isso aconteça. Temos de agregar valor ao nosso produto", disse. Dilma incitou os empresários presentes ao local a "terem em mente que é preciso ao Brasil tomar para si o pioneirismo de regulação sobre biocombustíveis, e não se deixar surpreender pelas barreiras que serão impostas nos próximos anos". Em sua apresentação, a ministra frisou a distorção que tem sido criada no mundo todo com a dicotomia entre a produção alimentar e a de energia. No Brasil, disse ela, essas duas produções podem conviver "tranqüilamente". Ela citou, por exemplo, que apenas 1% da área agriculturável no Brasil será ocupada com produção de oleaginosas destinadas ao biodiesel em 2010, e outros 0,8% dessa área serão cultivados com cana-de-açúcar. A ministra também destacou que não há fundamento na preocupação internacional com relação a desmatamento da Amazônia para a produção de álcool ou biodiesel. "A maior concentração de usinas de álcool e produção de cana está a 2.100 quilômetros da Amazônia. Costumamos lembrar lá fora que é uma distância equivalente ao percurso entre Madri e Moscou", disse. Entretanto, a ministra destacou que há necessidade no País de priorizar mais a produtividade do que o volume de produção. No caso do etanol, lembrou, existem várias pesquisas sendo feitas que já obtiveram ganhos significativos nos últimos anos. BIODIESELNa área de biodiesel, porém, a maior produção é proveniente do óleo de soja, apesar de o dendê ter produtividade até três vezes maior. "É preciso repensar isso", afirmou. Segundo ela, o governo pretende avaliar o primeiro ano de obrigatoriedade da mistura, em 2008, para decidir se antecipa ou não o aumento do porcentual exigido de óleo vegetal na composição do diesel, de 2% para 5%. "Capacidade, pelo que estamos vendo, teremos para abastecer o mercado. Mas a matéria-prima que servirá de fonte para essa produção tem de ser diversificada para garantir confiabilidade e a segurança ao abastecimento."

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