Brasil tem de investir 5% do PIB em obras

Consultores de engenharia defendem melhorar planejamento para infraestrutura

MARIANA SALLOWICZ / RIO , O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2014 | 02h05

A modernização da infraestrutura do País passa por uma mudança de patamar dos investimentos, mas esse não é o único desafio do setor. Na avaliação do presidente do Conselho Diretor da Associação Brasileira de Consultores de Engenharia (ABCE), Mauro Ribeiro Viegas Filho, também é preciso melhorar o planejamento das obras, com estudos aprofundados e dentro de prazos adequados.

"Há uma dificuldade enorme no Brasil de planejar, estudar e projetar grandes empreendimentos, o que considero tão importante, ou até mais, do que a realização (da obra)", afirmou. Ele disse que para modernizar o setor de infraestrutura são necessários investimentos equivalentes a 5% do Produto Interno Bruto (PIB) por ano. Em 2013, a cifra representou de 2,45%, o equivalente a R$ 120 bilhões.

Representantes do setor e autoridades se reúnem nesta semana na Conferência Internacional de Infraestrutura, no Rio, para discutir gargalos e possíveis soluções. O evento é promovido anualmente pela Fidic (Federação Internacional de Engenheiros Consultivos, na sigla em francês) e ocorre pela primeira vez em um País sul americano. São esperados 800 congressistas, de acordo com o presidente da ABCE, que é filiada à federação internacional.

Para Viegas Filho, um dos principais problemas no Brasil é que os planejamentos que deveriam levar até 30 anos são do "tamanho dos mandatos dos governantes". "No máximo, têm quatro anos, porque muitas vezes não começam no primeiro ano de governo. Deveria ser obrigatório ter planejamento de longo prazo", diz.

"Os estádios da Copa do Mundo são um exemplo. Poderiam ter sido planejados e projetados com maior antecedência. Isso mostra que falta consciência de que esse tipo de investimento é de longo prazo."

Pressão. Sem o planejamento, os estudos são feitos sob pressão. "Não se faz estudos de viabilidade em dois meses. Até se faz, mas no papel. Tem que ter prazos adequados. Dependendo do porte da obra, tem que fazer avaliações mais profundas para evitar surpresas na hora da execução." O resultado são maiores custos. "Muitas vezes acaba se gastando o dobro ou triplo no projeto por causa de estudos realizados às pressas." Outro efeito é no tempo de execução. "Há casos que demoram três ou quatro vezes mais do que se tivessem sido feito os estudos adequados."

Segundo ele, em países desenvolvidos, muitas vezes o prazo de estudo do projeto é maior que o da obra. "Pode parecer excesso de zelo, mas não é. Quanto mais se faz o trabalho de inteligência prévio, menos surpresas você vai ter, mais previsibilidade para construir e menos recursos (serão precisos)." Entre as sugestões da ABCE está a de que nos editais de Parcerias Público-Privadas (PPPs) seja obrigatória a contratação de empresas de engenharia consultiva, para desenvolver os projetos.

Outro tema do evento são as perspectivas para 2015. "O cenário é muito preocupante. Qualquer governo que assumir, ou mesmo em caso de reeleição, será preciso fazer um choque de arrumação. O primeiro semestre será para esse ajuste."

Tudo o que sabemos sobre:
PIBinfraestrutura

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.