Brasil tem de negociar novo acordo de trigo, diz ministro

Ministro do Desenvolvimento alerta que País terá déficit de 3 milhões de toneladas em 2008

JAMIL CHADE, Agencia Estado

12 de abril de 2008 | 11h56

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, alerta que o Brasil terá de negociar um novo acordo para a importação de trigo para evitar um desabastecimento. "Teremos um déficit de 3 milhões de toneladas de trigo em 2008", disse.   Lula tenta convencer tchecos a participar do PAC Lula nega sinal verde a aumento dos jurosA FAO alertou nesta semana que o trigo sofreu uma alta de 100% entre 2007 e março de 2008. "Fizemos um acordo com a Argentina para a importação de 1 milhão de toneladas. Mas teremos de negociar um novo entendimento ainda neste ano", afirmou o ministro. Mesmo com o comércio preferencial com a Argentina, o Brasil liberou uma cota de 1 milhão de toneladas para a importação de trigo de terceiros países. Só na semana passada, os importadores compraram cerca de 300 mil toneladas dos Estados Unidos. O problema ainda é a indefinição do governo argentino nos últimos dias sobre a liberação das exportações, deixando o setor privado brasileiro à espera. O temor do setor é comprar trigo de outros países, com frete alto e preços mais caros, e depois haver a possibilidade de poder importar nas próximas semanas o produto argentino, bem mais barato.Jorge acredita que a importação do trigo do Canadá, outro importante produtor mundial, também não será a solução para o Brasil. "O preço deles (canadenses) é muito alto. Não é uma solução", disse. Pelas estimativas da FAO, a produção de trigo no Canadá deve sofrer uma expansão de 11% em 2008. "Os altos preços do trigo estão sendo um incentivo à produção", afirmou a FAO. Em várias partes do mundo, a alta do trigo está gerando crises e protestos em várias partes do mundo. A União Européia foi forçada a eliminar as tarifas de importação para o produto como forma de evitar uma inflação nos alimentos. Mas a situação mais crítica está nos países pobres, como o Haiti. O chanceler Celso Amorim destaca o trabalho do Brasil em reunir doadores para conseguir enviar alimentos ao Haiti. No total, 15 toneladas foram enviadas pelo Brasil. "É como no livro do Pequeno Príncipe. Você é responsável por quem cativa", afirmou o ministro das Relações Exteriores.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.