Brasil tem déficit de US$ 5,5 bilhões na conta corrente em agosto

Nos oito primeiros meses do ano, déficit em conta corrente equivale a 3,66% do PIB, segundo o Banco Central

Célia Froufe e Victor Martins, Agência Estado

24 de setembro de 2014 | 10h39

O Brasil teve mais saídas que entradas de recursos no mês passado. O resultado das transações correntes seguiu negativo em agosto, ao registrar um déficit de US$ 5,5 bilhões. O déficit ficou dentro das previsões coletadas pela Agência Estado, que iam de US$ 4,1 bilhões a US$ 6 bilhões, mas foi ligeiramente maior que a mediana estimada, negativa em US$ 5,4 bilhões.

Nos oito primeiros meses do ano, o déficit em conta corrente está em US$ 54,8 bilhões, o que representa 3,66% do Produto Interno Bruto (PIB). 

Já no acumulado dos últimos 12 meses até agosto de 2014, o saldo negativo está em US$ 78,4 bilhões, o equivalente a 3,47% do PIB. "Essa proporção em relação ao PIB segue estável a bastante tempo", comentou o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel.

O Banco Central manteve a projeção de déficit nas transações correntes de 2014 de US$ 80 bilhões, o equivalente a 3,52% do PIB.

No mês passado, o saldo da balança comercial foi positivo em US$ 1,1 bilhão, enquanto a conta de serviços ficou negativa em US$ 3,7 bilhões. A conta de renda também ficou deficitária no mês passado, em US$ 2,9 bilhões.

Os Investimentos Estrangeiros Direto (IED) somaram US$ 6,8 bilhões em agosto, resultado que ficou acima dos US$ 3,7 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. No acumulado do ano até o mês passado, o IED soma US$ 42 bilhões, o equivalente a 2,77% do PIB. No mesmo período do ano passado, o IED acumulado era de 2,63% o PIB. No últimos 12 meses até agosto, o IED está em US$ 67 bilhões, o que corresponde a 2,97% do PIB.

Dívida externa. A estimativa para a dívida externa brasileira em agosto de 2014 é de US$ 333,1 bilhões. Em junho, último dado verificado, a dívida estava em US$ 333,2 bilhões.

Setembro. A previsão do Banco Central, segundo Tulio Maciel, é de que o déficit das contas correntes de setembro fique maior do que o visto em agosto, com influência da balança comercial. Segundo ele, o resultado deverá ficar negativo em US$ 6,7 bilhões este mês. O técnico também apresentou a projeção da casa para o ingresso de IED em setembro, de US$ 3 bilhões, que não será suficiente, portanto, para cobrir o rombo esperado para o mês.

“O IED surpreendeu mais uma vez. Vimos um movimento mais forte nos últimos dias", considerou Maciel. Ele ressaltou que em torno de 80% do déficit da conta corrente vem sendo financiado pelo IED.



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