Brasil tem déficit externo recorde no semestre

As transações correntes do Brasilsuperaram o estimado por analistas em junho e acumularamrecorde histórico no semestre, mostraram números divulgadosnesta segunda-feira pela autoridade monetária. O déficit no mês passado foi de 2,596 bilhões de dólares,ante superávit de 539 milhões de dólares no mesmo período doano passado, afetado pelo crescimento das remessas de lucros edividendos e das importações. O resultado ficou bem acima do déficit de 1,2 bilhão dedólares previsto pelo Banco Central há um mês e também superouas projeções de analistas consultados pela Reuters, queesperavam um déficit de 1,1 bilhão de dólares, de acordo com amediana das estimativas de 13 analistas. "Houve uma aceleração de remessas de lucros e dividendosnos últimos dias do mês", afirmou a jornalistas o chefe doDepartamento Econômico do BC, Altamir Lopes, ao justificar oresultado. No primeiro semestre, as transações correntes acumularamdéficit de 17,4 bilhões de dólares --o maior para este períodoem toda série do governo, iniciada em 1947--, frente a umsuperávit de 2,413 bilhões de dólares no mesmo período de 2007. O resultado foi superior aos investimentos estrangeirosdiretos acumulados no período, de 16,702 bilhões de dólares. Ainda assim, Lopes argumentou que as contas externasbrasileiras são "perfeitamente financiáveis" e que os déficitsainda são inferiores aos registrados atualmente pela maioriados países com economias comparáveis. O saldo negativo brasileiro, segundo ele, tem refletidoprincipalmente uma elevação das remessas de lucros e dividendosem meio a um cenário de câmbio valorizado e de crescimento darentabilidade das empresas. O BC estima que, no médio prazo, a tendência é deestabilização das remessas de lucros e dividendos e de aumentodos saldos comerciais. No curto prazo, contudo, o déficit deve seguir em alta.Para julho, a projeção do BC é de que as transações correntesregistrem déficit de 2,8 bilhões de dólares, o que levaria oresultado acumulado no ano a um déficit de 20,2 bilhões dedólares --já próximo ao déficit projetado pelo BC para todo oano, de 21 bilhões de dólares. INVESTIMENTO ESTRANGEIRO CAI Os investimentos estrangeiros diretos no país somaram 2,718bilhões de dólares no mês passado, ante o volume recorde de10,318 bilhões de dólares registrado em junho de 2007, quando asiderúrgica Arcelor Mittal adquiriu ações de minoritários daArcelor Brasil. No ano, os investimentos estrangeiros somam 16,702 bilhõesde dólares. Para julho, o BC calcula que os investimentossomarão 3,2 bilhões de dólares. As remessas líquidas de lucros e dividendos feitas pelasempresas somaram 3,396 bilhões de dólares em junho e 18,993bilhões de dólares no semestre --mais que o dobro dos 9,807bilhões de dólares remetidos no mesmo período do ano passado. Segundo Lopes, as empresas dos setores automotivo efinanceiro têm sido responsáveis pelas maiores remessas. A balança comercial registrou um superávit de 2,718 bilhõesde dólares em junho. Nos primeiros seis meses do ano, osuperávit comercial foi de 11,349 bilhões de dólares, frente a20,577 bilhões de dólares no primeiro semestre de 2007. Em 12 meses até junho, o déficit em transações correntescorrespondeu a 1,32 por cento do Produto Interno Bruto (PIB),ante déficit de 1,10 por cento do PIB em 12 meses até maio.

ISABEL VERSIANI, REUTERS

28 de julho de 2008 | 13h46

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