Brasil tem desempenho pífio no ranking do PIB de emergentes

O Brasil continua com desempenho pífio no ranking das taxas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) entre os países emergentes. No primeiro trimestre deste ano, o PIB brasileiro cresceu 3,4% em relação ao mesmo período de 2005. Enquanto isso, China registrou uma taxa de 10,3%; Índia, 9,3%; Coréia, 6,2%; México, 5,5%; Polônia, 5,2%. O País também ficou atrás de Cingapura e Rússia, que cresceram 4,6% nesse período."Não surpreende o péssimo desempenho do Brasil. Mais uma vez ficamos na garupa do crescimento", afirma o economista-chefe da GRC Visão, Jason Vieira. Segundo ele, o País não soube aproveitar o cenário externo favorável em 2005 e neste ano.Vieira destaca que a situação é preocupante porque o governo atual, ao contrário do anterior, não enfrentou crises externas. Mesmo assim, não impulsionou o crescimento de forma significativa."Quando se compara o desempenho do PIB brasileiro com o de outros países emergentes, não há motivos para comemorar", ressalta o economista. Nas suas contas, a economia brasileira poderia crescer hoje a uma taxa entre 5% e 6% ao ano.Juros altosAlém de o País ter os juros mais elevados do mundo, o economista aponta problemas estruturais que travam o crescimento. Entre eles, a elevada carga tributária, gargalos na infra-estrutura que poderiam ser corrigidos com as Parcerias Público-Privadas (PPPs), a reforma política que não andou e o nível inaceitável de corrupção que afasta do investimento estrangeiro. "Temos de pensar de forma mais ousada", diz o Vieira. O fantasma de que o crescimento a uma taxa mais acelerada gera inflação é um obstáculo ao crescimento, observa.Segundo economista, o desempenho do PIB mostra que não adianta sustentar a economia do País com programas assistencialistas. É preciso gerar crescimento com bases mais sólidas, equacionando os entraves educacionais e a relação dívida/PIB, que ainda é elevada, apesar de se divulgar que o País tem bons fundamentos.Hoje, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu reduzir a Selic, a taxa básica de juros da economia, em 0,5 ponto porcentual. Com isso, o juro, que estava em 15,75% ao ano, passou para 15,25% ao ano. A queda de hoje é a oitava seguida desde setembro do ano passado, quando a taxa foi reduzida de 19,75% para 19,50%. Contudo, marca a redução do ritmo de afrouxamento monetário, depois de dois meses consecutivos com cortes de 0,75 ponto porcentual.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.