Brasil tem dificuldade em liberar vendas para a Rússia

Presidente Dilma negocia com o premiê Dimitri Medvedev a suspensão ao embargo às vendas de 3 Estados

CLÁUDIA TREVISAN , ENVIADA ESPECIAL / MOSCOU , O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2012 | 02h09

O Brasil enfrenta dificuldades em convencer a Rússia a retomar as importações de carnes de três Estados brasileiros, suspensas há um ano e meio por supostos problemas sanitários. "Nós fizemos tudo o que podíamos do lado técnico. Dependemos agora de negociações de alto nível", disse ontem ao Estado o secretário de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Célio Porto, reconhecendo que há resistências do lado russo em retomar as compras.

O assunto foi abordado pela presidente Dilma Rousseff durante encontro com o primeiro-ministro russo, Dimitri Medvedev, na tarde de ontem, e voltará a ser tratado hoje em sua reunião com o presidente Vladimir Putin.

A brasileira escutou do russo a promessa de que o assunto terá uma solução positiva. "Ele não me comunicou qual será a decisão final, mas considerou que os produtores brasileiros tomaram todas as medidas." A Rússia suspendeu em junho de 2011 a importação de carnes do Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso.

Mas a presidente não especificou se Medvedev se referia ao embargo aos três Estados ou à exigência russa de que o Brasil adote um processo de certificação para comprovar que a carne de porco exportada à Rússia não contém ractopamina (aditivo alimentar que reduz a quantidade de gordura e aumenta a de carne no animal).

Segundo Porto, há boa vontade dos russos em relação à proposta de certificação apresentada pelo Brasil. Mas a mesma disposição não existia até ontem no caso do embargo à importações dos Estados de Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso.

As carnes são o principal produto de exportação do Brasil para a Rússia. No ano passado, as vendas somaram US$ 1,5 bilhão, o equivalente a 36% dos embarques de US$ 4,2 bilhões ao país. No ano anterior, antes do embargo, as exportações do produto haviam somado US$ 1,8 bilhão.

Moscou exigiu que o Brasil adote um processo de certificação para comprovar que a carne de porco exportada ao país não contém ractopamina. O prazo dado para a mudança venceu no dia 7 e havia o temor de suspensão das vendas de suínos ao país, segundo maior destino das exportações brasileiras.

"O relacionamento russo brasileiro está no auge, temos vários projetos promissores, mas isso não significa que tudo está resolvido", disse Medvedev. O primeiro-ministro disse à presidente que seu país está aberto a resolver os problemas que afetam o relacionamento bilateral.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.