Brasil tem impacto maior sobre nervosismo dos investidores

O jornal Financial Times afirmou que a queda nos mercados acionários globais na sexta-feira passada - 0,85% em Nova Iorque, 1,2% em Frankfurt e 4,03% em São Paulo - ilustra uma verdade bem conhecida. "Quando os investidores ficam nervosos, eles ficam especialmente nervosos com o Brasil", disse o diário financeiro britânico. "Isso não ocorre apenas pelo fato do Brasil ser o mercado emergente mais líquido e oferecer a rota de saída mais rápida. Isso reflete também preocupações com o próprio Brasil, especialmente seus problemas fiscais e a aparente incapacidade do governo de encontrar maneiras de lidar com eles."O FT disse que o primeiro ato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu segundo mandato foi vetar a proposta de seu próprio governo de reduzir os gastos correntes federais em 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) por ano a partir de 2007. "Esse é o mais recente de uma série de atos iniciados durante a campanha eleitoral do ano passado que torna a necessidade de ação cada vez mais urgente", disse. O jornal observou que Lula adiou o anúncio do pacote com medidas para estimular o crescimento e que "seu segundo mandato começou no limbo".Além disso, o FT observou que, aliada à uma crise no setor de aviação comercial, surgiu uma nova onda de violência no Rio. "Ambas as crises sugerem fracassos de longo prazo no gerenciamento", disse. Segundo o diário, o recente diálogo entre Brasília e os governadores estaduais sinaliza um avanço em relação ao passado, quando um acusava o outro de não fazer nada, mas é um preocupante remanescente da postura do presidente diante da questão fiscal e outros problemas do País. "Reunir os envolvidos para dialogar é um passo necessário", disse. "Mas outros elementos do governo - liderança, formulação política e ação - continuam ausentes."

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