Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Brasil tem instrumentos para absorver choques externos, diz presidente do BC

Em entrevista ao jornal 'La Tercera', do Chile, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, destacou que o Brasil tem quantidade grande de reservas internacionais para lidar com a volatilidade nos mercados internacionais

Fabrício de Castro, enviado especial, Broadcast

12 Novembro 2016 | 13h02

SANTIAGO, CHILE - O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou em entrevista ao jornal "La Tercera", do Chile, que a reação dos mercados nos últimos dias "a princípio tem a ver mais com fluxo de capitais, mas são movimentos de curto prazo". Ao comentar o fato de o dólar ter subido cerca de 7% ante o real após a eleição de Donald Trump nos EUA, Goldfajn destacou que o "Brasil tem uma quantidade grande de reservas internacionais". 

"São cerca de US$ 380 bilhões, quer dizer, entre 20% e 25% do PIB. Ante essas flutuações, temos muitos instrumentos para absorver os choques", afirmou o presidente do BC. 

Goldfajn destacou ainda o regime de câmbio flutuante nas economias da América Latina. "É sempre possível que tenhamos volatilidade nos mercados, porque o mundo está mudando, temos choques externos, mas as economias da América Latina têm o câmbio flutuante, o que significa que têm um amortizador natural", avaliou Goldfajn ao jornal. "Elas têm políticas responsáveis e com isso conseguem que os choques internacionais sejam absorvidos", acrescentou. 

 

O presidente do BC evitou comentar diretamente a política americana, mas defendeu a manutenção da abertura comercial entre os países - um dos pontos de interrogação após o êxito de Trump na corrida eleitoral. "Para as economias da América Latina, especialmente as exportadoras, é importante que o mundo se mantenha aberto para que possam continuar crescendo com bastante competitividade. Não é bom para ninguém, nem para as economias emergentes, nem para as avançadas, que haja mais protecionismo no mundo. Não é saudável que nos isolemos uns dos outros", disse Goldfajn. 

 

O presidente do BC voltou ainda a citar o "interregno benigno" que, segundo ele, precisa ser aproveitado pelo Brasil e por outros países da América Latina para os ajustes necessários na economia. Sobre a possibilidade de o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) mudar de postura em relação à política monetária, Goldfajn citou as incertezas atuais. "Hoje temos uma incerteza um pouco maior sobre os próximos passos na economia americana. Creio que a incerteza vai diminuir à medida que o tempo passe."  

 

Em outro ponto da entrevista, ao discutir o processo desinflacionário no Brasil, Goldfajn afirmou que uma política monetária "focada em chegar à meta é muito importante". "Por isso estamos vendo as expectativas de inflação para os próximos anos já convergindo à meta de 4,5%", comentou. "Também temos uma situação na economia na qual há uma capacidade ociosa que não gera um potencial de inflação. Então, expectativas ancoradas, uma política monetária adequada e uma capacidade ociosa nos leva a uma desinflação."

 

Ao abordar a recessão no Brasil, Goldfajn afirmou que existem sinais de que a situação está se estabilizando. "Foi uma recessão muito forte, diria que das mais fortes que já tivemos, mas já estamos em um momento de estabilização e há esperança de que, depois da estabilização, venha uma recuperação gradual", avaliou.

 

Goldfajn falou ainda sobre a reforma da Previdência - um tema atualmente sensível também no Chile, que tem enfrentado protestos populares contra o sistema local. "As reformas da Previdência, em todo o mundo, são reformas que sempre exigem muita negociação. No caso do Brasil, temos que tratar da Previdência, porque se temos um teto de crescimento dos gastos públicos a Previdência não pode ocupá-lo todo", defendeu Goldfajn. "A idade média de aposentadoria é entre 50 e 55 anos, o que é muito baixo na comparação com o resto do mundo."

Goldfajn se disse confiante de que a reforma da Previdência será aprovada no Brasil. "Creio que estamos num momento que existe responsabilidade fiscal. Para voltar a crescer, precisamos que o futuro pareça melhor que o presente e por isso as reformas são importantes."

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