Brasil tem melhores condições para enfrentar a crise hoje, diz Heron do Carmo

Na opinião dele, o risco está na abrangência da crise e de que ela atinja, além dos EUA e UE, a China

Anne Warth, da Agência Estado,

12 de agosto de 2011 | 21h46

O presidente do Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon -SP), Heron do Carmo, disse hoje que o Brasil tem melhores condições para enfrentar os impactos da crise do que no passado. Na opinião dele, o risco está na abrangência da crise e de que ela atinja, além dos EUA e UE, a China. Isso porque, na avaliação dele, a China é um dos maiores importadores de produtos do Brasil, principalmente minério de ferro e alimentos. "O setor de alimentos não deve ser muito afetado porque as pessoas não deixaram de comprar. Mas o de minérios será afetado e isso terá impacto nas exportações, no câmbio e até na inflação", afirmou durante cerimônia de entrega da comenda "Mario Henrique Simonsen", organizada pelo Corecon-SP na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

"Se isso vier a ocorrer, combinado com uma redução na taxa de juros, porque a solução da crise passa por um afrouxamento monetário, essa redução da taxa de juros teria um impacto interessante também do ponto de vista do déficit público, porque mantendo o superávit primário e reduzindo os juros, a conta dos juros passa a ter um peso menor, ainda que não imediatamente, e isso tem impacto favorável na inflação, o que pode compensar, talvez, a questão do câmbio desfavorável", disse. Uma eventual influência positiva da crise, na avaliação de Heron, seria sobre a inflação que deve refluir até o fim do ano e atingir o centro da meta (4,5%) em meados de 2012.

"Com a crise, aumentou a possibilidade de isso ocorrer e o desdobramento importante é a possibilidade de redução da taxa de juros, com o Banco Central interrompendo o ciclo de aumento dos juros mais cedo e, ao que tudo indica, já na próxima reunião", afirmou. Para Heron, se isso ocorrer será possível reduzir a taxa de juros já em 2012, de forma segura. "Espero que dessa feita a redução dos juros ocorra em uma trajetória segura, para que fiquemos mais próximos das taxas de juros do resto do mundo e com isso evitemos um fator de perturbação para a economia nacional. A taxa de juros é algo que está muito fora do lugar e isso tem desdobramentos também no câmbio", opinou.

Segundo Heron, a economia brasileira tem condições e dinamismo para crescer 4% com uma inflação de 5%. "A crise pode criar solavancos nisso, mas a expectativa é a de que melhorando as condições econômicas possamos crescer a 5% com uma inflação de 3%, o que seria o melhor dos mundos", afirmou. Na opinião de Heron, uma inflação de 3% não será possível de atingir no ano que vem, mas daqui a dois anos seria interessante criar condições para um crescimento maior com um nível menor de inflação.

Participa do evento o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, que não quis falar com a imprensa.

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