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Brasil tem o terceiro maior déficit do mundo, alerta o FMI

Com rombo recorde de US$ 81 bilhões na conta de transações correntes em 2013, Brasil só fica atrás dos EUA, maior devedor global, e do Reino Unido

Altamiro Silva Júnior, Correspondente, O Estado de S. Paulo

30 de setembro de 2014 | 15h44

NOVA YORK - A piora dos números das contas externas do Brasil levou o País a entrar na lista dos maiores déficits do mundo, de acordo com um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgado nesta terça-feira, que compara os indicadores de 2013 com os de 2006. Naquele ano, o Brasil não fazia parte da lista dos dez maiores saldos de transações correntes do planeta.

O Brasil teve déficit recorde de US$ 81 bilhões na conta de transações correntes em 2013, o terceiro maior do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, país conhecido por ser o maior devedor global, e do Reino Unido. Mas o déficit dos EUA caiu pela metade entre o ano passado e 2006, passando de US$ 807 bilhões para quase US$ 400 bilhões. A balança de transações correntes é o saldo das operações de um país com o exterior, incluindo o resultado das exportações e importações, transferências unilaterais, pagamento de juros e remessas de dividendos.

Em 2013, o déficit brasileiro na conta corrente atingiu 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB), maior porcentual desde 2001, e em nível acima de outros países que têm os dez maiores déficits do mundo, como os EUA (2,4%), Índia (1,7%) e França (1,3%), mas melhor que certos mercados, como Turquia (7,9%) e o Reino Unido (4,5%).

O estudo do FMI conclui que os desequilíbrios mundiais, medidos pelos déficits de transações correntes, se reduziram em mais de um terço desde 2006, quando atingiram o pico e suscitaram preocupações sobre a estabilidade de algumas economias. Desequilíbrios importantes, como o enorme déficit dos EUA, e os grandes superávits de China e Japão, tiveram quedas significativas. Na média, a soma dos dez países mais endividados caiu de 2,3% do PIB global para 1,2%. A dos mais superavitários baixou de 2,1% para 1,5%.

As razões para a redução dos desequilíbrios globais estão ligadas principalmente à contração da demanda em países como os EUA, um dos maiores importadores do mundo. Outro fator é o crescimento diferente do PIB em cada país, com alguns emergentes avançando de forma mais intensa, principalmente após a crise de 2008. A contribuição do movimento de moedas para a redução dos desequilíbrios foi modesta, destaca o relatório.

A expectativa dos economistas do FMI é que a redução dos desequilíbrios globais seja duradoura. Uma das razões é que a expansão da demanda doméstica nos países mais deficitários permanece abaixo da tendência verificada antes da crise de 2008. "Os riscos de um ajustamento danoso nas contas de transações correntes se reduziram, mas o rebalanceamento da demanda global permanece uma prioridade dos governos", afirma o documento. Em países deficitários, como o Brasil, uma demanda externa mais forte pelos produtos do país ajudaria a reaquecer a atividade econômica ao mesmo tempo em que melhora o passivo externo.

Além do aparecimento do Brasil entre os maiores déficits do mundo na comparação entre 2013 e 2006, o relatório cita outras mudanças. Alguns países europeus, como Portugal, Itália, Grécia e Espanha, antes com déficits, passaram em seu conjunto a registrar um pequeno superávit. Em países como Canadá e Austrália, o déficit piorou. Nos emergentes, México, Turquia, Indonésia e Índia também tiveram piora das contas externas.

O relatório do FMI mostra ainda que houve mudanças na lista das economias que são as maiores credoras do mundo e as mais devedoras. O Brasil está na lista dos devedores e subiu da sexta posição em 2006 para a terceira em 2013. O chamado "passivo externo líquido" do país passou de US$ 349 bilhões para US$ 750 bilhões no período, ou de 32,1% para 33,4% do PIB. O dos EUA, maior devedor mundial nos dois períodos, quase triplicou, passando de US$ 2 trilhões para US$ 5,7 trilhões (34% do PIB).

O Japão segue sendo o maior credor mundial (US$ 3 trilhões ou 62% do PIB), seguido pela China (US$ 1,7 trilhão), que passou do sétimo para o segundo lugar, e a Alemanha (US$ 1,7 trilhão).

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