Brasil tem potencial para liderar produção agrícola, diz ONU

Projeções feitas pela ONU apontam que o Brasil tem o potencial de se tornar o maior produtor agrícola mundial nos próximos doze anos. A avaliação faz parte do relatório anual de commodities, preparado pela Conferência da ONU sobre Desenvolvimento e Comércio (Unctad) e lançado hoje em Genebra. "As oportunidade estão dadas: o País conta com nada menos do que 90 milhões de hectares de terras potencialmente aráveis, virgens e que poderiam ser usadas sem que se tenha que cortar uma só árvore", afirma o documento, de cerca de 330 páginas e que se baseia em dados de 2001 e 2002. Não é por nada que os Estados Unidos e outros grandes produtores estão preocupados em abrirem seus mercados aos produtos brasileiros. A Unctad aponta que, nos últimos anos, o País conseguiu tirar vantagens de situações adversas em outras regiões, aumentou sua própria capacidade produtiva e já ameaça a liderança dos norte-americanos em vários setores, como o de carnes e soja. Washington se mantem ainda como o maior produtor mundial no setor agrícola, mas a ONU adverte que o "boom" produtivo dos Estados Unidos nos anos 90 começou a ser revertido já no final da década passada. Dois motivos contribuíram para a nova situação: a crise financeira asiática e a emergência de novos competidores em alguns setores chaves, como o Brasil na soja. Em 1996, por exemplo, o Brasil produzia 27 milhões de toneladas de soja, menos da metade que os Estados Unidos. Além disso, exportava apenas um terço do volume que Washington destinava ao mercado mundial. Em 2001, segundo a ONU, a produção brasileira continuou sendo 50% menor que a dos Estados Unidos, mas as exportações nacionais já começam a incomodar. Em seis anos, a exportação dos Estados Unidos passou de 24 milhões de toneladas de soja para 28 milhões de toneladas. As vendas do Brasil passaram de 8 milhões de toneladas para 16,5 milhões. A Unctad lembra que tudo isso vem ocorrendo em um cenário de subsídios nos Estados Unidos, que permitem que os produtores americanos recebam 35% a mais que os brasileiros pelo mesmo volume de soja produzido. Carnes Outro destaque na produção brasileira é o setor de carnes. O documento aponta que o País tem chances de ser um "gigante" no mercado mundial diante de suas "vantagens naturais imbatíveis". No setor de carnes bovinas, a ONU destaca que "a tradicional competição entre Estados Unidos e Europa foi abalada pela chegada de novos atores na cena vindo da América do Sul, em particular o Brasil", com produção de 6,7 milhões de toneladas em 2001. No setor de frangos, a perspectiva é ainda mais positiva para o País. Com a desvalorização do real, a abundância de mão-de obra e de terra, o Brasil conseguiu aumentar suas vendas em 30% apenas em 2001 e se tornou o produtor mais competitivo do mundo. "A dominação americana nos mercado mundiais está sendo ameaçacada pelos preços hiper-competititvos do frango do Brasil", afirma o estudo, que aponta que o País ultrapassou a Europa e é segundo maior exportador do produto, já encostando nos Estados Unidos. Apesar das tarifas de importação, o Brasil vende frangos no mercado europeu a preços inferiores aos que são praticados por produtos locais.

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