Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Para ministro, câmbio não é suficiente para dar competitividade

Armando Monteiro defende o estímulo às exportações e diz que o País tem problemas sistêmicos, como as deficiências em infraestrutura e a falta de abertura comercial

Mário Braga e Álvaro Campos, O Estado de S. Paulo

10 de dezembro de 2015 | 11h11

SÃO PAULO - O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Armando Monteiro, afirmou nesta quinta-feira que o Brasil tem uma série de problemas sistêmicos que não podem ser resolvidos no curto prazo e que, apesar de o câmbio representar uma janela de oportunidade para os exportadores, não é este fator que dará competitividade sustentável de longo prazo para a economia do País. 

"Precisamos estruturar uma agência de crédito especializada para exportação. O Brasil se ressente disso", afirmou, durante sua participação no Fóruns Estadão Exportação.

 

O ministro reconheceu que o País tem deficiências de infraestrutura, precisa promover uma integração mais rápida a acordos internacionais, revisão da estrutura tarifária e articulação a cadeias globais de valor. 

"Portanto, nós temos muito o que fazer. O Brasil ainda tem um grau de introversão muito grande para os padrões internacionais", ponderou Monteiro. Segundo ele, o Brasil exporta 10% do PIB, o que é pouco para os padrões internacionais. 

Crise política. O ministro também avaliou que o Brasil vive período de grande turbulência política e tem o desafio de promover um ajuste fiscal para buscar o reequilíbrio econômico - precondição para relançar a economia brasileira e promover o crescimento. 

"O ajuste não tem que ter efeito paralisante. É preciso complementá-lo com medidas para o crescimento, mas o Congresso ficou enredado nas disputas políticas e não tem sido possível um entendimento mínimo fazer as mudanças necessárias na economia dada a velocidade da dinâmica da crise", afirmou. 

Segundo Monteiro, a despeito da legitimidade das disputas políticas em curso, algumas questões tem que ser decididas com urgência "sob o custo de a economia brasileira sofrer grandes efeitos". 

Para o titular do MDIC, é preciso buscar uma solução política no prazo mais curto possível. "Confio que isso aconteça e que se dê em um marco de institucionalidade", disse. Para o ministro, instituições que funcionam representam um dos ativos do Brasil no cenário internacional. 

Monteiro afirmou ainda que a crise atual é produto do esgotamento de um ciclo, que se deu com contínua elevação do gasto público. De acordo com ele, diversas questões devem ser decididas pela sociedade brasileira, como a reforma previdenciária e a discussão das políticas de distribuição de renda. 

"Temos muitos desafios pela frente e espero que o Congresso Nacional seja capaz de agir para que o Brasil não sofra um processo de deterioração ainda mais intenso", afirmou. 

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