Brasil tem um DNA inflacionário perigosíssimo, diz Palocci

O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, afirmou, em uma palestra na abertura do Congresso Nacional da Aliança Unimed (Conau), em Ribeirão Preto (SP), que "o Brasil tem um DNA inflacionário perigosíssimo" e que somente um tratamento na inflação pode manter a ordem social, "mesmo que o remédio usado seja amargo". Segundo Palocci, "quando a inflação passa dos 10% no Brasil, chega logo a 20% e aos 40%. Por isso é preciso controlá-la". Falando para uma platéia de aproximadamente 500 pessoas, Palocci, que é médico, como a maioria dos presentes, procurou comparar, em sua palestra, o atendimento a um paciente com o atendimento ao país. "O histórico do nosso paciente (País) mostra que já se tentou de tudo, mas as medicações foram muito erradas, nunca se terminou um tratamento. O diagnóstico é que nós temos doenças importantes e nós precisamos fazer um tratamento de longo prazo. Mas o prognóstico é que temos um dos melhores países do mundo em nossas mãos", disse. O ministro da Fazenda afirmou também que o segredo para a economia brasileira "é que não existe segredo?. ?É fazer as coisas mais simples e ser persistente nessas coisas. Gastar o que se tem, pagar o que deve e ter políticas adequadas". Ainda em sua palestra na noite de ontem, o ministro procurou apontar os erros cometidos nos governos passados na tentativa de controle da inflação, como o tabelamento de preços feito durante o governo do ex-presidente José Sarney (PMDB) e a manutenção da paridade entre o real e o dólar durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Palocci classificou essas medidas como mágicas, mas de curto efeito. "A minha intenção não é criticar os antecessores, porque acho que todos tiveram boa vontade. O erro foi persistir acreditando nessas saídas mágicas. Por mais duro que seja o tratamento, é preciso que ele seja simples e prolongado", completou Palocci.

Agencia Estado,

24 Julho 2003 | 12h08

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