Brasil tenta isolar foco de febre aftosa no Paraguai

Governo brasileiro suspendeu ontem a importação de animais vivos e de carne bovina do país vizinho

VENILSON FERREIRA / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2011 | 03h05

O Brasil anunciou ontem a suspensão temporária da importação de animais vivos e de carne in natura provenientes do Paraguai. A mesma medida foi adotada pela Argentina e pelo Uruguai, após a confirmação de um foco de febre aftosa no departamento de San Pedro. A restrição às importações afetam o mercado interno, pois até julho deste ano a entrada de carne bovina paraguaia somou 5,5 mil toneladas, totalizando US$ 29,1 milhões.

Nas estatísticas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda, em inglês), o Paraguai ocupa o sétimo lugar entre os principais países exportadores, com previsão de embarque de 310 mil toneladas neste ano. O Brasil, que lidera o mercado mundial, deve exportar 1,6 milhão de toneladas em 2011.

A justificativa apresentada pelo Ministério da Agricultura para barrar a carne paraguaia é que a medida tem o objetivo de "proteger o patrimônio pecuário brasileiro e garantir a manutenção do status sanitário alcançado ao longo dos últimos anos". O governo brasileiro diz que está acompanhando a aplicação, pelas autoridades paraguaias, das medidas para o controle, erradicação e investigação do caso de aftosa.

O ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, diz que a situação no Brasil está tranquila e que a fiscalização está sendo intensificada na região de fronteira. O secretário executivo da Pasta, José Carlos Vaz, diz que as medidas adotadas até o momento são suficientes para impedir a entrada do vírus no território nacional. "Estamos em alerta, com apoio dos governos estaduais e das Forças Armadas. Estamos monitorando e, se necessário, iremos reforçar as medidas."

Fronteira. Boiadas de pecuaristas brasileiros e paraguaios estão sendo barradas na divisa seca entre Mato Grosso do Sul e Paraguai. O trânsito de animais está proibido para saída ou entrada no país vizinho. Forças Armadas vigiam a fronteira, ajudando as autoridades sanitárias, disse o governador de Mato Grosso do Sul (MS), André Puccinelli.

Segundo ele, tropas do Exército, da Marinha e da Aeronáutica confirmaram participação ativa no trabalho de defesa sanitária. "Além das Forças Armadas, reforçamos a fiscalização aumentando o número de agentes sanitários nos postos de fiscalização. Também contamos com forças policiais do Estado."

O governador explicou que, na sexta-feira, foi desencadeada a Operação Ágata 1 na fronteira. "Entre as missões predeterminadas na operação, Exército, Marinha e Aeronáutica concordaram em atuar também no bloqueio sanitário, impedindo a entrada ilegal de gado. Calculamos que do local do foco de aftosa no Paraguai, até o centro do município de Amambaí (MS), um caminhão de bois poderá gastar no máximo três horas."

O vaivém de bovinos entre Mato Grosso do Sul e os municípios paraguaios que fazem divisa com o Estado, já resultou em um dos maiores surtos de aftosa. Em 2005, a doença obrigou a interdição das fazendas de pecuária de 11 cidades no extremo sul do Estado. Na ocasião, foram sacrificados quase 36 mil animais e o comércio na região entrou em crise com a falta de clientes e desemprego. O resultado final das análises concluiu que a contaminação veio do Paraguai.

A confirmação do foco de aftosa no Paraguai levou a Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul) a promover reuniões de esclarecimento das ações do Ministério da Agricultura. Junto com os sindicatos rurais da região de fronteira com o Paraguai, a Famasul realizará amanhã encontros nas cidades de Bela Vista, Ponta Porã e Eldorado. Na sexta-feira, a reunião será em Amambai.

Horário Tinoco, médico veterinário da Famasul, disse que a intenção é esclarecer os fatos, explicar quais ações estão sendo tomadas e orientar sobre como o produtor rural pode contribuir para que a situação permaneça sob controle no Estado.

Além dos criadores de gado, devem participar da reunião os frigoríficos, as transportadoras de gado, as secretarias de agricultura e pecuária dos municípios, os conselhos municipais de Saúde Animal, médicos veterinários da iniciativa privada e lideranças de assentamentos.

A mobilização envolve ainda os municípios de Porto Murtinho, Caracol, Antônio João, Mundo Novo, Japorã, Iguatemi, Sete Quedas, Paranhos, Tacuru, Coronel Sapucaia e Aral Moreira. A região da fronteira, que integra a Zona de Alta Vigilância, detém 800 mil das 20 milhões cabeças de gado no Estado.

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