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Brasil tenta neutralizar criticas da Bolívia a hidrelétricas

Dentro do governo boliviano, as principais críticas à construção das usinas partem de um grupo liderado pelo chanceler David Choquehuanca, afinado a organizações ambientais

Por Denise Chrispim Marin, do Estadão,

24 de julho de 2007 | 19h58

O governo brasileiro despejará sobre uma missão da Bolívia, no dia 30, em Brasília, toda argumentação ambiental para evitar que a construção das duas hidrelétricas no Rio Madeira, em Rondônia, torne-se mais um ponto de conflito nas relações bilaterais. O encontro entre técnicos dos dois países se dará no Itamaraty e reunirá autoridades das áreas energética e ambientalista, de acordo com uma fonte da diplomacia.   A equipe econômica quer anular as reações bolivianas contra esses projetos, atenta à possibilidade de o Brasil levantar uma usina binacional na fronteira e cooperar para a construção de outra, em território da Bolívia. Dentro do governo boliviano, as principais críticas à construção das usinas partem de um grupo liderado pelo chanceler David Choquehuanca, afinado a organizações ambientais.   Envolvido nos conflitos políticos da Assembléia Constituinte que convocou neste ano, o presidente Evo Morales continua "em cima do muro" quando o assunto é a construção das usinas. Pragmático, deverá pender para o lado que lhe proporcionar mais votos nas eleições gerais de 2008, avaliam observadores brasileiros.   Negociações do gás   Entre amanhã e quinta-feira, em La Paz, o governo brasileiro observará a assinatura do contrato final de fornecimento de gás natural boliviano à Termocuiabá com a expectativa de ver esse antigo foco de conflito devidamente extinto. O contrato será assinado pela estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales de Bolívia (YPFB) com a TBS Bolívia, companhia de capital inglês proprietária do gasoduto que transporta o gás para a Termocuiabá.   Apesar de manter o preço em US$ 4,20 por milhão de metros cúbicos, como consta do acordo entre os dois governos de fevereiro passado, o contrato final prevê a redução pela metade no volume de gás a ser despachado para Cuiabá - de 2,2 milhões de metros cúbicos diários para 1,1 milhão de metros cúbicos - até 2010.   O preço é atualmente maior que o cobrado nas exportações da YPFB para a Petrobrás. A redução do volume de gás para a Termocuiabá é reflexo direto do risco político para os investimentos estrangeiros na exploração do gás na Bolívia. As ameaças do presidente boliviano, Evo Morales, de cassar a concessão de empresas que não acelerarem seus planos de aumento da exploração caíram no vazio. Morales não encontra companhias dispostas a assumir as concessões que venham a ser perdidas pelas suas concorrentes.   "Morales impôs condições leoninas para as empresas exploradoras", afirmou um observador do governo brasileiro. "A participação do governo nessas atividades só é justificável em países com reservas enormes de hidrocarbonetos e onde os riscos políticos e geológicos são pequenos. Esse não é o caso da Bolívia", completou.

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