Brasil terá 1,3 milhão mais de barris/dia

Petrobrás vai produzir mais derivados em meados da próxima década, o que pode reduzir o preço mundial

Nicola Pamplona, de O Estado de S.Paulo,

12 de junho de 2008 | 00h54

O plano de expansão do parque de refino da Petrobrás vai acrescentar, até meados da próxima década, 1,3 milhão de barris por dia à capacidade brasileira de processamento de petróleo, hoje em 1,9 milhão de barris por dia. Embora represente apenas 1,5% da capacidade atual de refino no mundo, o crescimento projetado pela estatal brasileira pode ajudar a suavizar um dos principais gargalos do mercado de petróleo, que é a dificuldade do parque existente para transformar petróleo pesado em destilados médios, como diesel e querosene de aviação. Segundo o banco de investimentos Merril Lynch, a falta de capacidade de produção desses dois combustíveis é hoje um dos principais fatores de pressão nos preços do petróleo. Em relatório recente, o chefe da área de pesquisas em commodities do banco, Francisco Blanch, diz que as refinarias atuais não conseguem margens razoáveis no processamento de óleo pesado, o que motiva grande busca por óleos mais leves.  "O crescimento da capacidade de refino será elemento crítico no direcionamento dos preços do petróleo", avalia Blanch. É consenso no mercado que o mundo vive um apagão de refino desde meados da década, reflexo do crescimento da demanda, aliado à falta de investimentos em novas refinarias nas décadas de 80 e 90. "Com a recessão provocada pelo segundo choque no petróleo, o consumo de combustíveis não cresceu como esperado nos anos 80, gerando ociosidade no parque de refino. Essa situação mudou", diz o consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE). Segundo ele, há grandes restrições à construção de refinarias nos EUA e na Europa e, por isso, o Brasil é bom candidato à expansão da oferta. Das cinco novas unidades planejadas pela Petrobrás, duas são voltadas à exportação:Premium 1 e Premium 2. A primeira, no Maranhão, terá capacidade para 600 mil barris/dia. A segunda, no Ceará, terá 300 mil barris/dia. O objetivo da estatal é desenvolver os projetos prevendo um mix entre óleo pesado, comum na Bacia de Campos, e óleo leve, que deve sair da região do pré-sal, em Santos. Outro ponto que aumenta a relevância dos projetos é o foco na produção de derivados médios, em falta no mercado mundial. Blanch acredita até que as companhias aéreas americanas começarão a ter problemas financeiros por causa da alta do preço do querosene de aviação.  Além das duas Premium, a Petrobrás trabalha na refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, com 200 mil barris/dia, e no Comperj, no Rio, com 150 mil barris/dia. Há ainda um investimento no Rio Grande do Norte, para produzir até 80 mil barris de gasolina por dia na base da empresa em Guamaré.

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