Brasil terá 5o maior mercado consumidor em 2030, diz estudo

O Brasil chegará a 2030 com o quintomaior mercado consumidor do mundo, à frente de Grã-Bretanha,Itália e Alemanha, mostrou estudo divulgado nesta terça-feira. Esse movimento será puxado pela expansão de 150 cento doProduto Interno Bruto (PIB) do país no período, ladeada pelamelhora dos níveis de produtividade da economia combinada comum estreitamento da pirâmide social. "Haverá uma mudança profunda do perfil da sociedadebrasileira", disse Fernando Garcia, da FGV Projetos, queexecutou o estudo em parceria com a Ernst & Young. As premissasbaseiam-se em indicadores econômicos de 100 países nos últimos57 anos. De acordo com o documento, diferente do que ocorreu nasúltimas décadas, com a estabilidade econômica o Brasil começa atrilhar o caminho do crescimento sustentado, sob suporte dedois alicerces principais. O primeiro é a elevação da taxa de investimento naeconomia, dos atuais 19 por cento para 22,7 por cento do PIB,que vai suportar o aumento da oferta de energia e deinfra-estrutura em níveis suficientes para sustentar o aumentoda demanda. O segundo é a tendência de maior escolaridade damão-de-obra, de 7,8 para 11,8 anos, pré-condição para produzirascensão social e aumento da produtividade da economia dosatuais 0,1 por cento para 0,9 por cento ao ano. De acordo com Garcia, famílias que hoje têm renda mensal de4 mil a 16 mil reais, consideradas como classes A e B, serão omotor dessa transformação, sendo responsáveis por 47,5 porcento do aumento do consumo nos próximos 22 anos. As projeções tomam como base um cenário em que o PIBdoméstico crescerá a uma taxa média de 4 por cento ao ano, quelevaria o país da décima para a oitava posição entre as maioreseconomias do mundo até 2030. De acordo com o consultor, o horizonte pode ser melhor se opaís obtiver avanços mais pronunciados em temas como aparatoregulatório para a área energética e melhora na qualidade doensino. "Esses são dois fatores que continuam restringindo ocrescimento", afirmou Garcia, durante apresentação ajornalistas. NOVOS MERCADOS, NOVOS RISCOS Para os autores do estudo, essa evolução econômica viráacompanhada de mudanças no perfil médio do consumidor. Areboque da redução na taxa de crescimento demográfico, de cercade 1,2 para 0,7 por cento ao ano, cairão as despesas familiarescom bens de consumo não-duráveis, como alimentos, fumo ebebidas, além de transportes e combustíveis. "Por outro lado, crescerão as despesas com habitação, saúdee educação", disse Garcia. Para Sergio Citeroni, sócio da Ernst & Young, o aumento domercado consumidor no país trará novas oportunidades para asempresas de bens de consumo, mas também trará consigo riscosestratégicos mais agudos, tais como pressões de preço, ameaçaslegais e regulatórias e mudanças rápidas nos hábitos de consumoprovocadas por inovações tecnológicas. "Os maiores riscos para as empresas estão relacionados àprópria indústria do que a fatores macroeconômicos", afirmouCiteroni. (Reportagem de Aluísio Alves; Edição de Renato Andrade)

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