Brasil terá autoridade moral para falar no G-20, diz Lula

Presidente critica opiniões externas sobre como o governo brasileiro deve lidar com efeitos da crise

Evandro Fadel, de O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2009 | 16h38

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, em Florianópolis, que o Brasil terá "autoridade moral" na reunião do G-20, que acontecerá no dia 2 de abril em Londres. "Este país tão humilde e tão achincalhado, quando sentar à mesa do G-20 terá mais autoridade moral para falar como se cuida de um país", acentuou. Segundo ele, o Brasil tem a solidez que outros países não têm. "Vamos levar o Brasil como exemplo", proclamou. Veja Também:As medidas do emprego De olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise   "Graças a Deus não privatizamos o Banco do Brasil, a Caixa Econômica, o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social)", afirmou. "Se os Estados Unidos ou a Alemanha tivessem 50% dos créditos internos em bancos públicos certamente não estariam passando pela crise que estão passando por falta de crédito." De acordo com Lula, da reunião precisa sair uma "decisão muito forte" a respeito da regulamentação do sistema financeiro internacional. "Qualquer cidadão presta contas à sociedade e o sistema financeiro não prestava contas", criticou. Segundo ele, por muitos anos os bancos deram palpite no Brasil, "como se fôssemos um bando de analfabetos e eles fossem graduados, doutorados para cuidar do Brasil." Mas reservou também uma crítica aos próprios brasileiros. "No Brasil tem um tipo de gente que adora puxar saco de coisas estrangeiras e falar mal das coisas brasileiras", afirmou. "Temos problemas porque não estamos isolados no mundo, mas não podemos aceitar o protecionismo daqueles que há 20 anos dizem que é preciso acabar com protecionismo e criar o livre mercado, não podemos aceitar a ideia dos que pregaram livre mercado durante 30 anos e agora dizem que tem que fazer proteção", acrescentou. "Vamos jogar o jogo sério, porque os grandes estão com a crise maior, mas os pequenos sofrem mais. Em abril, o G-20 se reúne em Londres para tentar traçar um plano para lidar com a pior crise em 60 anos. A ideia do Itamaraty é clara: pacotes para salvar empregos são justificados, mas não podem ter efeitos colaterais nem prejudicar trabalhadores de outros países.  Texto atualizado às 19h10

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