Brasil terá de acatar decisão contra barreiras

A contragosto, o Brasil acatou ontem decisão da maioria dos parceiros do G-20 de manter, até 2014, o compromisso mútuo de não criar barreiras comerciais e de reduzir as existentes. A presidente Dilma Rousseff havia insistido até o último minuto do encontro dos líderes das maiores economias do mundo, no México, em acabar com essa cláusula neste ano, como meio de permitir a retomada das negociações comerciais da Rodada Doha.

DENISE CHRISPIM MARIN, ENVIADA ESPECIAL / MÉXICO, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2012 | 03h01

"Se prorrogar, não tem Rodada Doha 'never more' (nunca mais, em inglês)", disse Dilma ontem, pouco antes de embarcar para o Brasil. Chamada de "standstill", essa cláusula foi adotada como meio de impedir uma escalada protecionista no auge da crise financeira.

Sua prorrogação foi qualificada pelo presidente do México e anfitrião do encontro, Felipe Calderón, como uma espécie de vitória contra as forças favoráveis ao protecionismo. O Brasil acabou incluída entre elas. "Houve uma discussão significante e um amplo consenso sobre a rejeição do protecionismo e sobre a necessidade de se estender a cláusula do standstill", afirmou. "Houve resistência de alguns países, mas conseguimos gerenciá-la e chegar a um acordo", completou Calderón, com a delicadeza de não mencionar o Brasil.

A presidente Dilma, apesar de ter cedido, conseguiu evitar que a prorrogação fosse até 2015, como queriam os países europeus e os Estados Unidos. "A crise atual não pode ser usada como biombo para a preservação dos desequilíbrios (no comércio internacional)", defendeu ela à imprensa. "Queremos que a Rodada Doha seja reaberta em 2014, com prazo para ser encerrada."

Desde a suspensão da Rodada de Doha, em 2007, o Brasil repete que só aceitará sua retomada se os objetivos de promover o desenvolvimento, definidos seis anos antes, forem mantidos. Isso significa não excluir das conversas o fim dos subsídios às exportações agrícolas e a redução das subvenções à produção do setor pelos países desenvolvidos. Os EUA, porém, insistem na redefinição das metas da negociação multilateral de comércio.

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