Brasil terá mais celulares do que gente

Até o fim do ano, acessos móveis devem chegar a 200 milhões, e aparelhos com dois chips acirram a competição entre empresas

Renato Cruz, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2010 | 00h00

Em algum momento daqui até o fim do ano, provavelmente em novembro, o número de acessos de telefonia móvel no País ultrapassará o total da pessoas. O País deve fechar o ano com cerca de 200 milhões de celulares, para uma população de 193,2 milhões.

Isso não quer dizer que todas as pessoas terão telefones. O que acontece é que cada vez mais consumidores têm dois ou mais chips, principalmente pré-pagos, interessados em aproveitar a melhor promoção em vigência. Pelos cálculos de algumas operadoras, cerca de 30% da base tem mais de um chip.

Outro fenômeno que impulsiona o crescimento é proliferação de outras máquinas, que não celulares, equipadas com chips de telefones móveis. São modems de banda larga sem fio, rastreadores de veículos, leitores de cartões de crédito e de débito, medidores de consumo de eletricidade e máquinas de venda automática, entre outros.

Segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), havia, em julho, 5,4 milhões de terminais de dados com chips de celular, num total de 164,9 milhões de acessos de telefonia móvel.

"O número de acessos deve continuar crescendo", afirmou Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco, que prevê os 200 milhões de celulares para o fim do ano. "Mas será cada vez mais difícil para as operadoras ganharem receita com o crescimento dos acessos. A receita de voz está caindo", explicou Tude.

Dual chip. A vendedora Maria Eugênia da Silva, de 23 anos, comprou há dois anos um celular que aceita dois chips ao mesmo tempo. Nesse aparelho, ela usa um chip da TIM e outro da Oi. Maria Eugênia tem um segundo celular, com chip da Claro.

"Eu falo muito ao telefone", disse a vendedora, que trabalha numa marmoraria e chega a gastar R$ 400 num mês com os celulares. "Toda hora eu vejo as promoções." Ela comprou primeiro o chip da TIM, porque é a operadora usada pela sua família.

Depois, comprou o da Oi, para aproveitar a promoção da entrada da operadora em São Paulo no fim de 2008, e para falar com parentes e amigos no Rio de Janeiro.

O terceiro chip foi o da Claro, porque é a empresa que os colegas de trabalho usam. "Agora vai chegar um Nextel", disse Maria Eugênia. "Terei três aparelhos e quatro linhas."

Por algum tempo, "dual chip" foi sinônimo de celular "xing ling", chinês, sem marca conhecida. A exceção era a Samsung, que tem aparelho de dois chips há mais de dois anos. Recentemente, aumentaram as alternativas de "dual chip" de marca. A LG lançou dois modelos em março e a Motorola, neste mês.

"O celular "dual chip" já é uma febre", afirmou Silvio Stagni, vice-presidente da Samsung. "Na metade do ano que vem, o portfólio será enorme." Atualmente, a Samsung tem três modelos que suportam dois chips.

As operadoras não gostam muito do "dual chip", por deixá-las lado a lado com o competidor dentro do aparelho. Atualmente, esse tipo de celular é encontrado somente no varejo. "As operadoras vão oferecer também", disse Stagni. "Não tenho nenhuma dúvida."

Flávia Bittencourt, diretora de marketing da Oi, reconheceu que o "dual chip" pode ser interessante em mercados como São Paulo, onde a Oi chegou depois dos concorrentes.

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