Brasil terá PIB fraco em 2012, diz OCDE

Entidade prevê 'forte queda de atividade econômica' no Brasil nos próximos meses e que País não ficará imune a recessão europeia

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2011 | 03h05

A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) prevê uma "forte queda de atividade econômica" no Brasil nos próximos meses e um período de pouco avanço no desempenho industrial do País em 2012.

Segundo dados da OCDE, a economia brasileira teve a segunda maior desaceleração entre 34 países em outubro. O índice de indicadores antecedentes da organização para o Brasil recuou de 102,3 pontos em outubro de 2010 para 94,2 pontos em igual mês deste ano, uma queda de 8,1 pontos. Na comparação com setembro, o índice para o País caiu 0,5 ponto. Além do Brasil, só a Índia teve uma recuo porcentual maior do indicador, de 8,7 pontos. Entre todos os membros da zona do euro, houve uma queda de 5,1 pontos em bases anuais.

A conclusão da entidade se choca com a avaliação do governo de que a estagnação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no terceiro trimestre foi apenas algo passageiro, como o governo tentou argumentar. "O alarme foi dado", disse Giorgy Giomay, economista da OCDE, em relação ao Brasil.

O índice antecedente para os membros do bloco recuou de 100,4 em setembro para 100,1 em outubro. Essa foi a oitava queda mensal consecutiva, indicando que a desaceleração do crescimento nos países desenvolvidos, iniciada no terceiro trimestre de 2010, deve continuar.

Segundo a OCDE, alguns países terão um desempenho pior do que outros. A atividade econômica no Brasil, França, Alemanha, Índia, Itália, Reino Unido e na zona do euro deve ser mais fraca do que a tendência de longo prazo.

No Japão, a atividade deve ficar acima da tendência de longo prazo. Já o índice dos Estados Unidos recuou de 101,0 para 100,9. O índice da zona do euro caiu de 99,2 para 98,5, enquanto o índice da Rússia ficou estável em 102,2.

Os indicadores antecedentes da OCDE são destinados a dar sinais antecipados de pontos de virada entre expansão e desaceleração da economia e são baseados numa série de dados que têm um histórico de assinalar mudanças das atividades.

Para o especialista da OCDE, o Brasil crescerá nos próximos oito meses abaixo de seu potencial e haverá um hiato entre a capacidade produtiva instalada e o que de fato será produzido pelo país nesse período.

A avaliação feita sobre o Brasil vai na mesma linha da queda registrada na Índia. Juntos, os dois países são considerados os que mais terão uma queda relativa da expansão nos próximos seis meses.

Organização das Nações Unidas (ONU), OCDE e diversos bancos centrais já indicaram que durante o ano que vem uma recessão vai se instalar pelo menos em parte da Europa, o que voltará, como consequência, a afetar o crescimento da economia de diversos países. / COM DOW JONES NEWSWIRES

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