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Brasil terá que aceitar regras se quiser gás da Bolívia, diz Evo

Petrobras parou de investir na Bolívia desde que 2 refinarias foram encampadas pelo governo, em 2006

Agências internacionais,

06 de novembro de 2007 | 13h37

Se quiser mais gás da Bolívia, o Brasil terá que aceitar as regras do país. E foram justamente estas regras que levaram a Petrobras a suspender os investimentos na Bolívia, desde que duas refinarias da estatal foram encampadas pelo governo boliviano, em maio de 2006. Depois de confirmar a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país no dia 12 de dezembro para discutir o fornecimento de gás, Evo afirmou que o seu país "precisa de milhões e milhões" para poder avançar na industrialização do gás natural e do petróleo, mas qualquer novo investimento deverá "respeitar as normas" do país. "Se quer investir, seja bem-vindo", disse. Veja também:Entenda a crise dos combustíveis e o corte de gás Histórico da criseO mercado de gás no Brasil  O encontro de lula com Evo Morales será mais um capítulo da crise do gás, que começou no dia 1º de maio de 2006. Neste dia, o presidente boliviano assinou um decreto de nacionalização de todos os hidrocarbonetos (entre eles, o gás). Com isso, a Petrobras foi ocupada por militares e funcionários da estatal boliviana, Yacimientos Petrolíferos Fiscales de Bolívia (YPFB). O governo brasileiro não conseguiu chegar a um acordo com a Bolívia e, em maio de 2007, doze meses depois, decidiu vender 100% de suas refinarias no país. A proposta brasileira para a venda estava em US$ 120 milhões e Evo Morales ofertou US$ 112 milhões pelas instalações da Petrobras no país. O presidente Lula determinou, então, que o negócio fosse fechado. O Brasil importa da Bolívia 25 milhões de metros cúbicos de gás diariamente. São Paulo recebe mais da metade deste volume, sendo que mais de 80% é direcionado para as térmicas e para a indústria. Na matriz energética do País, o gás representa quase 10% do total. Os governos dos dois países já tinham antecipado recentemente que Lula se encontraria com Morales na Bolívia antes do fim do ano. Mas a data ainda não estava marcada. O encontro dos presidentes será precedido por um reunião entre Morales e o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, marcada para a tarde desta terça-feira, 6, em la Paz. O ministro dos Hidrocarbonetos da Bolívia, Carlos Villegas, que deverá participar do encontro, esclareceu que não vai assinar "nenhum documento" nem informar "absolutamente nada" enquanto não houver resultados na agenda de trabalho entre os dois países. Preocupações Numa demonstração da preocupação com o tema, o presidente Lula convocou duas reuniões na segunda-feira, 5 - uma pela manhã e outra à noite - com os ministros da Casa Civil, Dilma Rousseff e das Minas e Energia, Nelson Hubner, além de toda a cúpula da área de energia do governo. Lula assegurou que não haverá apagão energético e afirmou que está fazendo "o que precisa ser feito para garantir que o Brasil tenha tranqüilidade energética num futuro bastante longo". Disse ainda que será necessário garantir gás para as termoelétricas, além de assegurar o fornecimento para as pessoas que têm carro movido com esse combustível. "Quem tem carro a gás não corre risco", assegurou. Ele indicou, porém, que o gás irá, prioritariamente, para as termoelétricas. "Temos de dar prioridade para alguma coisa. Na medida em que o Brasil não tem no seu território o gás que necessita, e nós temos de importar, nós vamos ter de priorizar", disse. "Primeiro vamos ter de garantir o funcionamento das termoelétricas, para produzir energia para a sociedade, depois a indústria e depois você tem os carros."  O presidente reconheceu que "ninguém colocou tambor de gás (nos carros) porque quis, mas porque teve incentivo do governo". "Portanto, as pessoas que têm esse carro, vamos ter de fornecer e garantir a tranqüilidade delas." Lula disse que o governo "vai ter de trabalhar para importar mais gás" e a Petrobrás "terá de continuar investindo muito para termos auto-suficiência em gás".  O porta-voz do Planalto, Marcelo Baumbach, disse que, na conversa com Evo, Lula "mencionou o interesse na retomada de projetos de industrialização do gás boliviano", "com investimentos no setor energético", mas não entrou em detalhes de como isso seria feito ou se seriam exigidas garantias dos bolivianos.  A preocupação com o abastecimento no País foi um dos principais temas da reunião de coordenação política do governo, ontem à noite, no Planalto. O presidente Lula quer que seja pensada uma solução de longo prazo para a questão.    

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