Fabio Motta/Estadão
Os investimentos diretos no País somaram US$ 78,56 bilhões em 2019. Fabio Motta/Estadão

Brasil termina 2019 com rombo de US$ 50,7 bi nas contas externas, o pior resultado em quatro anos

Resultado representa 2,76% do Produto Interno Bruto; investimentos no País cobriram o déficit e somaram 4,27% do PIB

Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2020 | 10h16

BRASÍLIA - As contas externas do Brasil fecharam 2019 com rombo de US$ 50,76 bilhões, o pior resultado desde 2015, quando houve déficit de US$ 54,47 bilhões. Os números foram divulgados nesta segunda-feira, 27, pelo Banco Central (BC).

O resultado das transações correntes, um dos principais dados sobre o setor externo do País, é formado pela balança comercial (comércio de produtos entre o Brasil e outros países), pelos serviços (adquiridos por brasileiros no exterior) e pelas rendas (remessas de juros, lucros e dividendos do Brasil para o exterior).

No ano passado, a balança comercial registrou saldo positivo de US$ 39,4 bilhões, enquanto a conta de serviços ficou negativa em US$ 35,14 bilhões. A conta de renda primária também ficou deficitária, em US$ 56 bilhões. No caso da conta financeira, o resultado ficou negativo em US$ 53 bilhões.

Investimentos no País

O resultado não chega a preocupar, já que o déficit foi largamente superado pela entrada de recursos via Investimentos Diretos no País (IDP), que somaram US$ 78,56 bilhões no ano passado. Em 2018, a entrada de recursos nessa conta havia somado US$ 78,16 bilhões.

No ano passado, enquanto o déficit em conta representou 2,76% do Produto Interno Bruto (PIB), o IDP total, de US$ 78,559 bilhões, foi equivalente a 4,27% do PIB.

Dívida externa

Já a dívida externa bruta brasileira aumentou de 2018 para 2019, de US$ 320,612 bilhões para US$ 323,593 bilhões, o que representa uma alta de 0,93%.

Nesse caso, a situação também é confortável, já que o Brasil há anos é credor - e não devedor - em moeda estrangeira, com reservas internacionais atualmente na casa dos US$ 357 bilhões.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Gasto de brasileiros no exterior recua 3,7% em 2019 e tem menor valor em três anos

Queda aconteceu em período de valorização do dólar, o que aumentou o preço de passagens aéreas e as despesas com hotéis

Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues, O Estado de S. Paulo

27 de janeiro de 2020 | 10h40

BRASÍLIA - Os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 17,593 bilhões em todo o ano de 2019, segundo informações divulgadas nesta segunda-feira, 27, pelo Banco Central (BC).

Com isso, foi registrada uma queda de 3,7% na comparação com 2018, quando as despesas lá fora somaram US$ 18,265 bilhões. Esse também foi o menor valor para um ano fechado desde 2016.

A queda de despesas de brasileiros no exterior no ano passado aconteceu em um momento de valorização do dólar - quando a moeda norte-americana bateu sucessivos recordes de alta, chegando ao pico de R$ 4,25.

Entretanto, recuou no fim do ano, fechando 2019 com crescimento mais modesto, de 3,5%, cotada em R$ 4,0098.

Com o dólar alto, as viagens de brasileiros ao exterior ficaram mais caras. Isso porque as passagens e as despesas com hotéis, por exemplo, são cotadas em moeda estrangeira.

No ano de 2019, ainda segundo números do BC, os estrangeiros gastaram US$ 5,913 bilhões no Brasil, valor praticamente estável na comparação com o ano de 2018 (US$ 5,921 bilhões).

Em dezembro os brasileiros gastaram  US$ 987 milhões a mais do que os estrangeiros deixaram aqui. Em 2019, essa conta ficou negativa em US$ 11,7 bilhões. No caso de 2020, a projeção é de déficit de US$ 13,5 bilhões.

Tudo o que sabemos sobre:
dólarturismo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Apesar da liberação de vistos, gastos de turistas estrangeiros no Brasil fecham 2019 estagnados

Mais uma vez, o valor não chegou aos US$ 6 bilhões, marca não alcançada desde 2016

Eduardo Rodrigues e Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2020 | 18h33

Apesar do real barato e das isenções de vistos para diversos países, os gastos dos turistas internacionais no Brasil ficaram estagnados por mais um ano em 2019. Longe do recorde de US$ 6,84 bilhões de 2014 – impulsionado pela Copa do Mundo no País – os estrangeiros desembolsaram US$ 5,9 bilhões no Brasil no ano passado.  Mais uma vez o valor não chegou aos US$ 6 bilhões, marca não alcançada desde 2016.

No ano passado, o governo fez um esforço para tentar aumentar o número de turistas estrangeiros no País, com a isenção unilateral da exigência de visto para australianos, canadenses, norte-americanos e japoneses. Apesar do aumento no volume de pessoas desses países que vieram ao Brasil, isso não se refletiu no montante total de gastos dos turistas estrangeiros.

A desvalorização do real também deveria incentivar o aumento dos gastos desses turistas no Brasil, já que torna o consumo mais barato para quem chega com dólares ao País. Na comparação com o ano anterior houve uma depreciação média de 7,9% no câmbio no ano passado - com o valor do dólar passando de R$ 3,66 na média de 2018, para R$ 3,95 na média de 2019. Ainda assim, a diferença nos gastos dos turistas de fora nos dois anos foi de apenas US$ 8 milhões, e para baixo.

O Ministério do Turismo ainda não consolidou dados sobre a entrada de turistas estrangeiros no Brasil em 2019. Este número deve estar disponível apenas nos próximos meses. O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, afirma que não é possível saber, olhando apenas pelos dados sobre o gasto, se o número de visitantes de outros países subiu ou caiu no ano passado.

“Com a alta do dólar ante o real, ficou mais barato ao estrangeiro fazer sua viagem. Se a mesma quantidade de estrangeiros fizessem os mesmos passeios, em tese a conta (na moeda americana) seria menor”, explicou.

O economista Bruno Lavieri, da 4E Consultoria, afirma que o fato de o gasto não ter se alterado de 2018 para 2019, ainda que o dólar esteja mais forte, tem outras razões. “Em condições normais, esperaríamos mais turistas com o dólar mais forte. A questão é que outros fatores podem pesar, como a questão da violência”, citou.

Na prática, a decisão de viagem por parte dos estrangeiros não depende apenas do custo mais favorável, mas também da infraestrutura disponível nos possíveis destinos. O vice-presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav Nacional), Marcos Teixeira, alerta principalmente para as dificuldades de conectividade interna entre os diversos destinos que poderiam fazer os estrangeiros passarem mais tempo no País.

“Desde a recessão, passamos a ter uma menor oferta de voos internacionais em diversos destinos. A malha aérea interna precisa de mais opções, e por isso torcemos para a entrada de mais companhias low cost no setor de aviação. Resolver essa questão é seguir o caminho que já deu certo em muitos países”, avaliou.

Segundo Teixeira, também houve uma redução significativa na quantidade de “voos charter” – os chamados “voos de férias” na alta temporada, em aviões fretados para linhas não regulares em outros períodos. “Muitos turistas estrangeiros vinham nesses grupos. Houve um processo muito forte de capacitação no setor turístico nos últimos anos, com os grandes eventos esportivos. Estamos prontos para receber o turista, mas ele precisa ter condições de chegar”, completou.  

O peso dos impostos sobre o setor também tira a competitividade do Brasil nesse mercado, na avaliação da Abav. “Quando precisamos concorrer com o Caribe, ou com as Ilhas Canárias, esses locais acabam mais atrativos, até pela proximidade com os Estados Unidos e a Europa. Por isso apoiamos a retirada da exigência de visto, inclusive para mais países, como forma de reduzir o custo para se vir ao Brasil”, concluiu Teixeira.  

Em nota, o Ministério do Turismo destacou que vem trabalhando em diversas ações para atrair a vinda de mais estrangeiros para o País. Entre elas está a isenção de vistos para países como Canadá, Japão, Estados Unidos e Austrália; a transformação da Embratur em Agência de Promoção Internacional, por meio da MP 907/2019; e a estruturação de destinos, por meio do programa Investe Turismo.

Tudo o que sabemos sobre:
turismodólar

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.