Brasil teve saldo negativo de fluxo de capitais

O Brasil registrou um saldo negativo de fluxos de capitais de US$ 2,2 bilhões no primeiro trimestre deste ano, segundo relatório divulgado pelo Banco Internacional de Compensações (BIS). Boa parte dessa saída de dinheiro do País foi resultado do aumento de depósitos no exterior. Bancos presentes no País depositaram US$ 3,6 bilhões em instituções financeiras no exterior, principalmente nos Estados Unidos e Reino Unido. O dado mais positivo é que, após três trimestres consecutivos de contração, a exposição de bancos estrangeiros no Brasil cresceu US$ 1,4 bilhão nos primeiros três meses deste ano, "com os novos créditos para o setor bancário mais que compensando uma redução na exposição" junto às corporações brasileiras. O estoque total da exposição estrangeira no País somava US$ 89,4 bilhões no final de março passado.Segundo o BIS, embora o ritmo de queda da exposição estrangeira na América Latina parece ter se estabilizado no primeiro trimestre, essa exposição caiu para abaixo de 30% do total de capitais internacionais em mercados emergentes pela primeira vez desde 1999. A exposição total na região declinou para US$ 272 bilhões, o que representa uma contração de 9,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Isso contribuiu para uma saldo negativo de fluxo de capitais pelo quarto trimestre consecutivo, dessa vez de US$ 4,6 bilhões. Após dois trimestres de queda, a exposição estrangeira junto aos bancos latino-americanos cresceu em US$ 1,9 bilhão, o maior aumento para esse setor desde o primeiro trimestre de 1991.Entretanto, a exposição estrangeira junto às corporações latino-americanas caiu US$ 3,9 bilhões. Além disso, os empréstimos sindicalizados na região no primeiro trimestre cairam para o seu menor nível há registrado, US$ 2,5 bilhões, ou 15% do total de todos os mercados emergentes. O México foi o país latino-americano que registrou a maior saldo negativo de fluxos de capitais, aproximadamente US$ 4 bilhões. Bancos presentes no mercado mexicano depositaram no exterior US$ 2,3 bilhões, principalmente em centros offshore. Emissões brasileiras crescem 30% Ao contrário do Brasil e México, o quinto trimestre consecutivo de saldo negativo no fluxo de capitais na Argentina foi resultado da queda da exposição estrangeira no país, que totalizou US$ 1,8 bilhão. O estoque total da exposição estrangeira na Argentina caiu para US$ 29,6 bilhões, ou 64% do seu nível registrado no segundo trimestre de 2001. Os bancos norte-americanos foram os que mais reduziram sua exposição na Argentina.O BIS observou que as emissões externas realizadas pelo governo, bancos e empresas brasileiras cresceram US$ 3 bilhões no segundo trimestre deste ano em relação ao primeiro trimestre. As emissões mexicanas também cresceram US$ 3 bilhões, ou 30%.O BIS afirmou que em meados deste ano investidores interncionais começaram a diminuir a sua exposição aos papéis da dívida dos mercados emergentes. As condições financeiras para esses países começaram a se deteriorar em junho. O índice EMBI Global (principal índice dos mercados emergentes) atingiu um piso de 476 pontos-base em 17 de junho e em seguida subiu com a elevação dos yields sobre os papéis do Tesouro dos Estados Unidos. O Brasil foi o país mais afetado, com os spreads sobre seus papéis soberanos subindo 200 pontos entre meados de junho e início de agosto, e o real se desvalorizando 6% diante do dólar. No início de agosto, no entanto, notícias econômicas e políticas positivas ajudaram a estreitar os spreads dos mercados emergentes. Entre os motivos elencados pelo BIS para essa melhora foi a aprovação da reforma da Previdência no Brasil.

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