Brasil trabalhará pela retomada da rodada Doha

O diretor do Departamento Econômico do Itamaraty, ministro Roberto Azevedo, disse nesta quarta-feira que o governo brasileiro trabalhará para que a suspensão da Rodada Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC) seja a mais curta possível. Segundo ele, o cenário deixado pela última reunião da OMC, em Genebra, na segunda-feira, é incerto, mas, do ponto de vista brasileiro, a negociação multilateral é a única que permite a redução de subsídios agrícolas.Azevedo disse que o Brasil pode, até mesmo, obter maior acesso a mercado para produtos agrícolas nas negociações conduzidas pelo Mercosul com outros parceiros. Mas, sem negociar subsídios, qualquer acordo é "manco" e não permite a completa competitividade do produto brasileiro em determinados mercados nos quais o subsídio é implementado.Ele reconheceu, entretanto, que o cenário incerto na OMC pode incentivar as negociações de acordos pelo Mercosul. Entretanto, ponderou que as negociações da OMC foram suspensas há apenas 72 horas e que não há, ainda, uma perspectiva clara sobre a sua retomada.Com isso, recai também uma sombra de incerteza sobre esses acordos bilaterais ou birregionais que, em última análise, seriam balizados pelos resultados da Rodada Doha.De acordo com Azevedo, o governo brasileiro tem em mente que a Rodada Doha não foi encerrada, mas sim suspensa e deve ser retomada em um momento ainda não definido.Ele considera, também, que é desejável manter os ganhos acumulados até hoje nas negociações da rodada, como o acordo para eliminação dos subsídios à exportação até 2013, e, ainda, que os contatos informais ainda continuam e praticamente os negociadores de todos os países envolvidos estão buscando uma alternativa para retomada da rodada.

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