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Brasil usa ‘janela’ do Fed e capta US$ 1,5 bilhão

Perspectiva de alta mais lenta dos juros nos EUA abriu caminho para emissão brasileira

Adriana Fernandes e Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2019 | 04h00

BRASÍLIA - Na primeira emissão externa do governo brasileiro sob o comando do ministro da Economia, Paulo Guedes, o Tesouro Nacional resolveu aproveitar a janela de oportunidade no mercado internacional que se abriu depois da decisão de quarta-feira do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), que reduziu a possibilidade de uma forte queda dos juros americanos no curto prazo.

O Tesouro captou nesta quinta-feira, 21, US$ 1,5 bilhão do Bônus Global 2029, título da dívida externa com prazo de vencimento daqui a dez anos, e aceitou pagar uma taxa de retorno ao investidor de 4,7% ao ano.

A prisão do ex-presidente Michel Temer (MDB), que ocorreu logo após o lançamento da emissão, e alimentou incertezas em relação à reforma da Previdência no mercado brasileiro, não atrapalhou o apetite dos investidores. A demanda pelos papéis superou a marca de US$ 5 bilhões.

Na reunião de quarta-feira, o BC americano indicou que a atividade econômica não está tão forte quanto as expectativas iniciais, sinalizando que os juros americanos podem demorar mais tempo para subir. A decisão do Federal Reserve, na qual a grande maioria de seus dirigentes reduziu a previsão de duas altas de juros em 2019, acabou reforçando o quadro favorável para o mercado de títulos dos países emergentes.

O Tesouro estava esperando a decisão do Fed para voltar à captação. O Brasil está fora do mercado de títulos soberanos desde janeiro de 2018, quando fez uma captação de um papel de 30 anos. Agora, no governo de Jair Bolsonaro (PSL), retorna ao mercado com um novo papel de dez anos, prazo que servirá de “referência” para as emissões no exterior das empresas brasileiras.

Retorno

Desde outubro de 2017, o Brasil não oferecia um papel com benchmark (prazo de referência) de dez anos. Sempre que ocorre a oferta de um novo papel, o volume ofertado costuma ser maior. A expectativa era de uma demanda positiva e uma captação bem superior a US$ 1 bilhão.

Os bancos que participaram da operação já tinham anunciado ao mercado que o preço inicial estimado (IPT, na sigla em inglês) da operação previa uma taxa de retorno ao investidor de 4,95% ao ano.

O spread da operação – indicador que mede o risco calculado pelo investidor – ficou em 215,8 pontos-base acima da Treasury (o título do Tesouro norte-americano). Na última emissão de dez anos, o spread foi mais elevado, na marca de 235 pontos-base.

A ausência do Brasil por um ano nesse mercado está associada a razões do cenário externo não tão favorável (o Fed, na época, dava sinais de que subiria a taxa de juros), mas sobretudo aos ruídos no mercado doméstico devido às eleições no Brasil, que marcaram o ano de 2018.

Como o Brasil não fez emissões por um período prolongado, existia uma certa escassez do papel e apetite por novos títulos do Brasil. Além disso, o nível de liquidez está elevado no mercado, o que deve favorecer a emissão do Brasil.

A emissão ocorreu no momento em que os investidores estrangeiros têm grande expectativa em relação à aprovação da reforma da Previdência.

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