Brasil vai à OMC e contesta subsídios ao açúcar europeu

O governo brasileiro entregou ontem, à secretaria da Organização Mundial do Comércio (OMC), um pedido formal para que seja aberto um comitê de investigação (painel) para avaliar os subsídios dados pelos europeus aos seus produtores de açúcar. Apesar da iniciativa, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, deu indicações de que o País não descarta um eventual acordo com Bruxelas para solucionar o conflito. "O Brasil nunca esteve fechado a acordos. Mas para obtê-los, em alguns casos, precisamos iniciar uma ação (na OMC)", afirmou Amorim.A queixa, entregue juntamente com o apoio da Austrália e da Tailândia, será avaliada pela OMC no próximo dia 21. Mas os europeus já reagiram à iniciativa e apontaram que o processo negociador na OMC, que se conclui em 2005, poderia ser comprometido diante da nova disputa. "Todas as vezes em que recorremos à OMC, os países desenvolvidos dizem que nós não deveríamos fazer isso porque não seria bom. Essa é uma atitude paternalista que não vale mais", respondeu Amorim às críticas.Sobre a possibilidade de um acordo para que sejam evitados desgastes políticos entre o Brasil e a UE, o chanceler aponta que não pode trocar "coisas concretas por meras promessas", mas que consideraria se houvesse algum avanço concreto nas negociações ou uma perspectiva de acordo. Ameaças ajudaram negociações sobre caféO problema, por enquanto, é que a perspectiva de algum avanço no setor do açúcar é mínimo. Rumores apontam que atuais subsídios europeus poderiam ser mantidos até 2011. Ele lembrou que, há alguns anos, o Brasil conseguiu um acordo com os europeus no que se refere ao acesso do café solúvel brasileiro depois que o Itamaraty havia ameaçado iniciar uma queixa contra Bruxelas na OMC. Há cerca de três meses, o Brasil tentou um último acordo com os europeus para evitar que o tema do açúcar chegasse à OMC. O Itamaraty propôs, em uma reunião biletaral, que Bruxelas fizesse algum tipo de concessão, como ocorreu no caso do café. Mas a resposta dos europeus foi negativa, deixando Genebra como a única opção.

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