Brasil vai atacar protecionismo dos EUA em sabatina na OMC

Junto com outros países emergentes, governo vai questionar política comercial e programas de apoio contra a crise

Jamil Chade CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2010 | 00h00

O governo brasileiro vai questionar amanhã na Organização Mundial do Comércio (OMC) o impacto sobre o comércio dos programas de apoio adotados pelo presidente americano Barack Obama no auge da crise.

O Brasil quer saber se os programas de ajuda provocaram distorções protecionistas contra produtos estrangeiros. O questionamento fará parte da primeira sabatina que o governo Obama enfrentará na OMC sobre sua política comercial.

A cada dois anos, as principais economias são obrigadas a passar por uma avaliação do comportamento internacional e se estão ou não cumprindo as regras da OMC. A ocasião será usada por vários países emergentes para atacar as distorções criadas pelos americanos em vários setores comerciais.

Um dos programas questionados pelo Brasil será o que Obama criou dando preferências a empresas americanas em processos de licitação pública, iniciativa conhecida como "Buy American". Para especialistas, o programa discrimina de forma ilegal produtos estrangeiros, fechando o mercado de compras governamentais a empresas locais.

Com a pior crise econômica em 70 anos, o governo americano distribuiu pacotes de resgate a áreas-chave da economia, garantiu incentivos a produtores locais e ainda criou preferência a empresas americanas para concorrer contra produtos estrangeiros. Dois anos após a eclosão da crise, a constatação é de que propostas protecionistas continuam a surgir.

Uma das novas propostas, por exemplo, poderia ser votada hoje. O projeto, liderado pelo Partido Democrata de Obama, sugere que incentivos sejam retirados de empresas que criem empregos fora dos Estados Unidos. Na prática, seriam punidas por não criar empregos no país.

O bombardeio do Brasil e dos demais países promete ser duro. Até sexta-feira, a Casa Branca já havia recebido mais de 1,2 mil perguntas e críticas dos principais parceiros comerciais. Para diplomatas que tiveram acesso às perguntas, a sabatina será o melhor termômetro para medir a irritação dos governos em relação às políticas comerciais de Obama.

Os americanos também terão de responder qual é a prioridade que de fato dão à conclusão da Rodada Doha da OMC, estagnada há meses e sem perspectiva de terminar este ano.

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