Brasil vai colocar US$ 2 bilhões no Banco do Sul

O ministro de Economia do Uruguai, Danilo Astori, anunciou hoje que o capital autorizado para o Banco do Sul será de US$ 20 bilhões e que o capital subscrito será de US$ 7 bilhões. Os números fazem parte da proposta aprovada hoje pelos ministros dos sete países que participam do projeto. A proposta precisa ser ainda submetida à apreciação dos respectivos presidentes e Congressos. Astori detalhou que o capital autorizado de US$ 20 bilhões significa o volume que poderia ser alcançado com subscrições futuras, como "funcionam os organismos multilaterais financeiros que recebem aportes", exemplificou.Os ministros decidiram que a constituição do capital subscrito será feita em três faixas: a primeira é formada pelos países maiores (Brasil, Argentina e Venezuela), que aportarão, cada um, US$ 2 bilhões; a segunda é formada por Equador e Uruguai, com US$ 400 milhões cada um; e a terceira, pelos países menores, Paraguai e Bolívia, com aporte, cada um, no montante de US$ 100 milhões.O ministro uruguaio explicou que 20% seria o mínimo de integralização de capital no início da constituição do banco e que o primeiro grupo, dos países maiores, terá um prazo de até cinco anos para completá-la. Os países médios e menores terão prazo de até dez anos. A proposta aprovada pelos ministros diz ainda que o capital poderá ser integralizado em até 10% em moeda local e o restante em divisas internacionais.PrazoO ministro da Venezuela, Rafael Isea, destacou que os países mantêm firme a posição de dar início ao funcionamento do Banco do Sul ainda neste ano, porém o ministro Guido Mantega, do Brasil, lembrou que, após a avaliação dos presidentes, o projeto deverá ser aprovado pelos parlamentos de cada um dos países. Mantega também destacou que a proposta discutida hoje deverá ser encaminhada ao governo da Argentina, que não pôde participar da reunião, devido às mudanças de titulares da pasta de Economia - Martín Lousteau renunciou ao cargo ontem à noite e foi substituído por Carlos Fernández, que só assumirá o cargo hoje às 19 horas (de Brasília). "Isso implica demora maior para tomar decisões", disse Mantega. "Se depender de nossa vontade, vamos acelerar a implementação desse banco porque a região precisa de mais fontes de financiamento para os projetos de integração e desenvolvimento." Nesse sentido, Mantega disse que o prazo dado para que os ministros submetam o projeto à avaliação dos presidentes é de uma semana. O ministro disse ainda que ficou satisfeito com os resultados da reunião. "Avançamos em pontos importantes e o banco começa a tomar forma, no momento em que temos decidido o capital autorizado e o subscrito."PoderNão foi discutido na reunião o poder de decisão que cada um dos países terá no Banco do Sul - se o poder de voto terá relação com o montante de aporte ou se todos os países terão igual peso nas decisões. O tema ficou para uma próxima reunião, que ainda não tem data marcada. Participaram da reunião de hoje, além de Mantega, Astori e Isea, os ministros do Paraguai, Cesar Barreto, do Equador, Fausto Ortiz, e o vice-ministro da Bolívia, Jose Luis Perez.

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