Brasil vai construir hidrelétrica na Nicarágua

Estimada em R$ 1 bilhão, obra será financiada pelo BNDES e pode ajudar Daniel Ortega a se reeleger em novembro

Lisandra Paraguassu/BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2011 | 00h00

O Brasil vai construir uma hidrelétrica de US$ 1 bilhão na Nicarágua, em um projeto que envolve a Eletrobrás, a empreiteira Queiroz Galvão e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A obra - acertada com o governo nicaraguense durante a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva - é considerada essencial pelo presidente Daniel Ortega, por razões estruturais, já que vai representar 27% da energia elétrica do país, mas também políticas. A hidrelétrica será um dos principais trunfos para a campanha de Ortega pela reeleição neste ano.

Na semana retrasada, o chanceler nicaraguense, Samuel Santos, esteve no Brasil para uma visita de cortesia cujo principal objetivo era pedir pressa ao governo brasileiro. "Temos uma cooperação estratégica no desenvolvimento da hidrelétrica de Tumarín com o apoio do Brasil e gostaríamos de começar o quanto antes", disse Santos.

Para o chanceler, a hidrelétrica ajudaria a Nicarágua a garantir estrutura para indústrias brasileiras que quiserem se instalar no país. Em troca, seria possível aos empresários usufruir do tratado de livre comércio que o país tem com os Estados Unidos.

Do custo total da hidrelétrica, o planejado é que a Eletrobrás entre com pelo menos US$ 200 milhões. Outros US$ 342 milhões serão aportados pelo BNDES através de financiamento para bens e serviços exportados pelo Brasil para aplicação na obra. A construtora Queiroz Galvão entraria com outra parte, assim como o Banco Centroamericano de Integración Económica.

A engenharia financeira da obras prevê que a Eletrobrás e a Queiroz Galvão teriam, ao final, 90% da hidrelétrica, unidas em uma nova empresa, a Centrales Hidrelétricas de Centroamérica (CHC). Os outros 10% pertenceriam à Empresa Nicaraguense de Electricidad.

Pendências. Apesar da sutil pressão diplomática, ainda há detalhes a resolver para que o projeto se torne realidade. Entre eles, estão as mudanças no estatuto da Eletrobrás, que permitam a estatal se internacionalizar.

Outro ponto pendente é acertar o preço final da obra com a Queiroz Galvão - que pode passar de US$ 1 bilhão, se forem incluídos novos itens como quer a Nicarágua. Também falta alcançar um entendimento sobre o preço final das tarifas de energia, que o governo de Daniel Ortega ainda não determinou.

O que cabe ao governo local, no entanto, deve correr mais rápido agora. Prestes a enfrentar uma campanha para a reeleição de novembro, Ortega vê a hidrelétrica como um trunfo eleitoral. Apesar de ter, nas últimas pesquisas, alcançado mais de 47% das intenções de voto - é necessário apenas ultrapassar 35% para ser reeleito no primeiro turno - Ortega enfrenta uma oposição dura.

A Nicarágua cresceu 4,5% em 2010, mas tem hoje um apoio econômico importante da Venezuela de Hugo Chávez. A crise internacional e a possibilidade real do governo venezuelano perder a capacidade de continuar investindo no país ameaçam Ortega. Outro problema para o presidente nicaraguense é sua contínua defesa do ditador líbio Muammar Kadafi, explorada a exaustão pela oposição.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.