Gustavo Raniere / Ministério da Fazenda
Gustavo Raniere / Ministério da Fazenda

'Brasil vai decidir qual rumo seguir e é crucial seguir com reformas', diz Guardia

Segundo o ministro da Fazenda, três eixos são fundamentais: consolidação fiscal e reforma da Previdência; maior eficiência do gastos público e reforma tributária e agenda de competitividade e produtividade

André Ítalo Rocha e Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2018 | 22h54

O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, afirmou que o País passa por um momento decisivo de sua história, no qual terá de decidir qual rumo irá seguir. "O governo trabalhou intensamente na agenda de reformas, que permitiu o restabelecimento da confiança na política econômica, ancorando a retomada do crescimento. Muito foi feito, mas há muito para fazer. O País precisa decidir que rumo ele quer seguir. É absolutamente crucial continuar o processo de reformas", disse ele, em evento de premiação da Revista Exame, em São Paulo.

De acordo com Guardia, a continuidade do processo de reformas é essencial para o Brasil não só trilhar uma trajetória de crescimento sustentável bem como proporcionar um ambiente de expansão econômica mais acelerada. Para o ministro da Fazenda, há três eixos fundamentais para que o País alcance esses objetivos: consolidação fiscal e reforma da Previdência; maior eficiência do gastos público e reforma tributária e ainda uma agenda de competitividade e produtividade.

A questão fiscal, na visão do ministro, é a grande fragilidade da economia brasileira e a solução passa pelo enfrentamento da questão previdenciária. "Temos um encontro marcado com essa reforma para assegurar a redução dos gastos públicos, a sustentabilidade da dívida pública e manter uma política fiscal que sustente juros e inflação baixos", destacou Guardia, acrescentando que é difícil e até "impossível" seguir com uma trajetória de crescimento sustentável sem resolver a questão fiscal.

Do lado dos gastos públicos, o ministro da Fazenda reforçou a necessidade de o governo controlar suas despesas, o que inclui uma reforma tributária. Comparou o Brasil a países desenvolvidos. Enquanto os gastos tributários representam 4% do Produto Interno Bruto (PIB) local, em mercados mais avançados, essa proporção corresponde a metade ou 2%.

Guardia mencionou ainda a importância das reformas microeconômicas como, por exemplo, a redução dos spreads (diferença de quanto um banco paga para captar e o quanto cobra para emprestar), regulamentações setoriais, redução da insegurança jurídica e ainda lei das recuperações judiciais. "O conjunto de reformas micro terá impacto relevante no potencial de crescimento da economia brasileira", disse o ministro.

A agenda de competitividade e produtividade, de acordo com Guardia, exige ainda o enfrentamento do que considerou como "problema grave": o fato de o Brasil ainda ser uma economia muito fechada. "O Brasil precisa se abrir. O esforço em uma abertura comercial também terá um impacto relevante sob a produtividade", avaliou ele, que voltou a falar da necessidade de o Brasil escolher o rumo que quer seguir ao final de sua fala: "É o momento de nós, enquanto País, tomarmos a decisão de que caminho iremos seguir para que daqui um ano tenhamos um ambiente macro muito mais adequado e propício para a geração de lucro, emprego e renda. É isso que precisamos e estamos trabalhando", concluiu.

Contas externas sólidas

O ministro da Fazenda ainda afirmou que as contas externas do Brasil estão em situação "muita robusta" e que, por isso, o País é mais resistente a volatilidades como a observada na semana passada e nesta semana no caso da Turquia.

"O Brasil não tem dívida externa, o setor público é credor em dólar, as reservas são superiores à dívida, o setor privado tem uma dívida menor e hedgeada, a posição em reservas internacionais é grande e o déficit em conta corrente é pequeno e financiado por investimento direto estrangeiro. Tudo isso torna o Brasil mais resistente", disse.

O ministro considerou improvável que o Banco Central atue nesse momento para conter a volatilidade do câmbio. "Tivemos uma intervenção há cinco semanas porque entendíamos naquele momento que houve excesso de volatilidade. Não é o que estamos observando no momento. Vamos monitorar", disse.

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