Brasil vai doar vacina contra aftosa à Bolívia

Além de oferecer apoio técnico para conter os focos de febre aftosa diagnosticados nos últimos dias na Bolívia, o Brasil doará mais um milhão de doses de vacinas para imunizar o rebanho do país vizinho. O objetivo é vacinar o rebanho criado nas proximidades da fronteira do país com o Brasil, informou o diretor substituto do Departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura, Guilherme Marques. Outro lote de um milhão de doses foi doado pelo Ministério da Agricultura à Bolívia no ano passado.As constantes doações de vacinas não impediram, no entanto, o reaparecimento da doença na Bolívia. Nos últimos dias, foram confirmados casos da doença em Cañadas, Swist Current e Porisaqui. Entre as duas primeiras cidades há uma distância de 200 quilômetros, o que indica a alta velocidade de expansão do vírus.Marques reuniu-se na tarde desta quarta-feira com os superintendentes federais de agricultura e representantes dos órgãos estaduais executores das ações de defesa sanitária do Acre, Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, estados que fazem fronteira com a Bolívia. A fronteira entre o Brasil e a Bolívia soma 3,166 mil quilômetros, informou o ministério. O coordenador argumentou, no entanto, que as barreiras naturais, como rios e áreas alagadas, dificultam o contrabando de animais da Bolívia para o Brasil. "Outro fator de alento é que entre a região dos focos e o Brasil há uma zona que o governo boliviano classificou internacionalmente como livre de febre aftosa com vacinação. Nessa zona, onde estão no máximo 600 mil animais, o sistema é diferenciado na comparação com o restante da Bolívia. Um eventual foco teria que passar por essa região antes de chegar ao Brasil", afirmou. Os focos diagnosticados até o momento estão a 270 quilômetros da fronteira do Mato Grosso e a 950 quilômetros da fronteira com o Acre. Mesmo assim, o controle na fronteira será intensificado para evitar o contrabando. De acordo com Marques, os postos fixos e volantes receberão apoio técnico do exército e da Polícia Federal. O governo do Mato Grosso já disponibilizou, segundo ele, 75 policiais militares para reforçar o controle. "Nós estamos em contato com a Polícia Federal para que ela possa respaldar os técnicos que fazem o trabalho de campo", afirmou. Além disso, técnicos do ministério que trabalham em outros estados poderão ser deslocados para a região de fronteira. "Nós vamos ficar em alerta até termos a segurança de que a situação da Bolívia está sob controle, que o problema limitou-se a aqueles episódios e que a enfermidade foi erradicada", disse. Ele ressaltou que a soberania boliviana precisa ser respeitada. "Nós oferecemos apoio do Brasil, com respeito a recursos humanos, para as autoridades bolivianas solucionarem o mais rápido possível o problema", disse. Ele acrescentou que a decisão de aceitar a ajuda oferecida pelo Brasil cabe ao governo de Evo Morales.

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