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''''Brasil vai melhorando sua independência''''

Entrevista[br]David Zylbersztajn: ex-diretor da Agência Nacional de Petróleo[br]Para Zylberstajn, o País está muito bem em termos de petróleo e já é hora de investir mais na questão dos derivados

Nilson Brandão Junior, RIO, O Estadao de S.Paulo

09 de novembro de 2007 | 00h00

O ex-diretor da Agência Nacional de Petróleo (ANP) David Zylbersztajn avalia que a descoberta de um megacampo de petróleo no País aumenta a independência brasileira, mas alerta que o País precisa investir na transformação de óleo bruto para ampliar a produção de derivados. "No fundo, temos um déficit na balança do petróleo expressivo porque importamos muito derivado", disse. Em entrevista ao Estado, ele também comentou que, apesar de ser razoável o governo parar para reavaliar a licitação de áreas depois da descoberta, a exclusão de 41 blocos da 9ª Rodada da ANP tem "muitos lados ruins". "O lado muito ruim é que tirou o caráter de previsibilidade e assinalou um possível favorecimento da Petrobrás. Agora, o outro lado é que aconteceu um episódio atípico antes da rodada, o que demanda uma certa reflexão", disse. A seguir, a entrevista.O que significa para o País essa descoberta da Petrobrás?Primeiro, como toda a descoberta, ela é bem-vinda. O País vai melhorando sua independência. Agora, há casos em que as expectativas não se confirmam e muitas vezes acontece o contrário. Para o País, é muito bom.Essa descoberta vem em momento de alta de preços. Qual a vantagem?O País está chegando, em termos de óleo bruto, em momento em que começa a ter uma folga grande. Mas hoje ainda importa muito derivado. Está na hora de ver a capacidade de transformar isso (óleo bruto) em derivados que a gente consome. Em termos de petróleo, o Brasil está muito bem. Está na hora de aproveitar e investir mais nos derivados.O que é preciso fazer?Rever os planos de refino. No fundo, temos um déficit na balança do setor de petróleo expressivo porque importamos ainda muito derivado. Agora, o momento é muito auspicioso, porque as descobertas atraem investimentos.Não parece coincidência demais um anúncio desse porte dias depois de deflagrada uma crise do gás no País?É uma feliz ou uma infeliz coincidência. A gente nunca vai saber.Essa descoberta muda, eventualmente, a correlação de forças do Brasil com a Bolívia?Não porque isso, no curto prazo, demora muito ainda. Pode demorar até dez anos para tornar um campo operacional, no mínimo uns cinco ou seis anos. No curto prazo, não afeta em nada em relação ao problema que está havendo agora (crise do gás). Melhora, muito, são as expectativas para o futuro.O que acha da suspensão de 41 blocos da 9ª Rodada da ANP, decidida ontem? É uma opinião difícil de dar. A gente não sabe claramente os limites dessa descoberta. Tem lados muito ruins e lados, eu diria, razoáveis de se pensar. O lado muito ruim é que tirou o caráter de previsibilidade e assinalou um possível favorecimento lá na frente para a Petrobrás. Agora, o outro lado é que aconteceu um episódio atípico antes da rodada, o que demanda uma certa reflexão. Isso também é defensável. As duas visões existem. Vamos entender melhor depois de alguns dias por que foram tirados os 41 blocos e ver a reação do mercado. Quem é:David ZylbersztajnÉ engenheiro mecânico e mestre pela PUC-RJ e doutor em economia da energia pelo Instituto de Economia de Grenoble, França É professor de Engenharia Mecânica da PUC-RJFoi secretário de Energia do Estado de São Paulo

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