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Brasil vai piorar muito, diz Stuhlberger

Gestor do fundo de investimentos Verde diz que o País vai ficar muito pior antes de melhorar e busca alternativas de aplicação no exterior

Dan Horch, THE NEW YORK TIMES

28 de novembro de 2015 | 02h04

O fundo de investimentos de Luis Stuhlberger tem registrado retornos surpreendentes, apesar da queda da economia. Mas ele tem demonstrado cada vez mais pessimismo com a perspectiva econômica do Brasil e já não faz mais a maior parte das apostas aqui, tendo decidido procurar novas oportunidades de investimento em outros países. "O Brasil vai ficar muito pior antes de melhorar", disse.

Tendo em vista seu histórico, quando Stuhlberger fala, o Brasil observa e presta atenção. Seu fundo mais importante, o Verde, conhecido por suas grandes decisões a respeito de tendências econômicas, deu retorno médio de 29% ao ano, descontadas as taxas de administração, desde que foi fundado em 1997. A bolsa brasileira deu retorno de 10% ao ano e seu índice de referência no mercado de títulos rendeu 16% ao ano.

"É muito cedo para comprar na bolsa de valores aqui. Meus clientes não me pagam para guardar o dinheiro deles."

Segundo o regulamento, o Verde tem de manter 80% de seus ativos no Brasil, mas Stuhlberger - que ao contrário dos gestores de fundos daqui investe no mundo todo, tendo apostado pesado no setor imobiliário alemão em 2011 - abriu um novo fundo neste ano, disponível apenas para investidores qualificados, que não tem limite de investimento no exterior.

Suas principais apostas neste fundo, chamado Horizonte, são mercados de capitais de países desenvolvidos e onde o dólar não tenha concluído sua alta. A China vai desvalorizar sua moeda e mercados emergentes permanecerão em queda na medida em que baixas taxas de juros, baixo preços das commodities e baixo crescimento persistirão num futuro previsível.

No país natal, Stuhlberger vê problemas mais profundos do que a crise política e os baixos preços das commodities.

"O País não é financeiramente viável", afirma. "O governo tentou construir uma social democracia europeia num País do Terceiro Mundo. Os números não são consistentes."

Para ele, "terá de haver uma grande crise antes de a população aceitar cortes nos gastos sociais". Stuhlberger disse que a corrupção é tão endêmica que teme que nenhuma instituição política nova e limpa exista para substituir as antigas.

Enquanto espera que a crise se aprofunde, suas alocações no Brasil são, em sua maioria, em títulos locais protegidos da inflação. Ele tem derivativos de câmbio que darão lucro se o real cair, além posições compradas, em pequena quantidade, em títulos da Petrobrás e vendidas em ações da empresa. No que diz respeito tanto ao governo quanto à Petrobrás, ele afirma que "o default não é um risco, por enquanto".

Ele passa vários meses do ano viajando no exterior. "É onde estamos procurando investimentos agora", disse. "Fora do Brasil." / TRADUÇÃO DE PRISCILA ARONE

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