Brasil vai voltar a importar gasolina este ano

Entre abril e maio, Petrobrás adquiriu 2,5 milhões de barris; empresa deverá construir mais quatro refinarias

Kelly Lima, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2011 | 00h00

O Brasil vai voltar a ser dependente da gasolina importada e essa situação deverá se estender até 2015, com a entrada em operação de novas refinarias. A informação foi confirmada ontem pelo presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, que atribuiu a necessidade de importação ainda este ano ao crescimento da renda e consequente aumento da frota. "O consumo está crescendo mais do que o previsto, especialmente de carros importados que não são flexíveis. Não possuem a alternativa de abastecimento com etanol durante a safra", comentou em entrevista após apresentar a empresários da cadeia de petróleo o plano de negócios da companhia para o período 2011-2015.

No plano, a Petrobrás prevê a construção de quatro novas refinarias entre 2012 e 2017, mas adiou em um ano, para 2016, o início das operações da maior delas, a unidade Premium 1, que será instalada no Maranhão com capacidade para processar 600 mil barris por dia.

A Petrobrás já voltou a importar gasolina desde o ano passado. Por conta de preços altos do etanol - por causa da queda na oferta do produto - a medida se fez necessária e a companhia encerrou 2010 com 3 milhões de barris de gasolina importados. Esse volume deve ser superado em 2011, já que pelo mesmo motivo do ano passado a companhia importou 2,5 milhões de barris entre abril e maio.

O volume, segundo Gabrielli, equivale ao consumo médio de três a quatro dias no país. "Estamos no limite da capacidade das refinarias e esses gargalos serão sanados com a entrada de novas unidades. É preciso lembrar que o Brasil ficou 32 anos sem a construção de uma nova refinaria.",

Gabrieli destaca que a retomada das importações não pode ser considerada o fim da autossuficiência do país. Para ele, ainda existe a autossuficiência, já que a dependência externa é relativa a derivados (diesel e gasolina).

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