Brasil vira centro mundial da indústria de falsificação, diz Kroll

O Brasil deixou de ser apenas distribuidor de produtos pirateados e contrabandeados para se transformar em uma das grandes indústrias mundiais da falsificação, de acordo com executivos da Kroll, empresa internacional de gerenciamento de riscos e uma das principais responsáveis por investigações mundiais de abuso e roubo de propriedade intelectual.Para executivos da Kroll, esta mudança é resultado da união entre a crescente economia informal e as organizações criminosas que atingiram altos índices no País. "Há cinco anos, o Brasil era apenas um grande distribuidor de produtos falsificados, fabricados principalmente na China e que chegavam aqui como contrabando. Mas o crime organizado passou a controlar a rede de distribuição e, com isso, criou os mecanismos para produzir as falsificações dentro do próprio País", avaliou o diretor internacional da empresa, Jules Kroll.Jules está no Brasil para divulgar os resultados de um pesquisa mundial sobre roubo de propriedade intelectual. A pesquisa foi realizada pela Kroll com 148 executivos que atuam em grandes companhias espalhadas em 49 países."A propriedade intelectual, consubstanciada principalmente nas patentes, marcas registradas, copyright e segredos industriais, está no epicentro dos negócios modernos e permeia tudo: desde alta tecnologia até os produtos farmacêuticos e a música", disse o executivo.De acordo com Jules, o roubo de propriedade intelectual está difundido no mundo todo e as pesquisas indicam que ele deverá crescer muito nos próximos cinco anos. "No Brasil, setores produtivos começaram acordar há pouco para o impacto que este crime provoca nas empresas lesadas e no conjunto da economia do País", diz o diretor da Kroll no Brasil, Eduardo de Freitas Gomide.Gomide, ao lado do diretor da Kroll no Rio de Janeiro, Vander Giordano, atuou nas investigações recentes contra falsificações de CDs e contra máfias de adulteração de combustíveis que atuam em vários Estados. "As empresas fonográficas estão literalmente quebrando e as máfias da adulteração já provocaram prejuízos gigantescos ao mercado de combustíveis", afirma.Giordano diz que é impossível enumerar todos os setores afetados hoje no Brasil pelo roubo de propriedade intelectual. "As quadrilhas falsificam quase tudo: bebidas, perfumes, água mineral, tênis, sapatos, roupas de marca, materiais escolares, softwares, equipamentos, remédios e assim por diante", afirma.Para os executivos da Kroll, apesar da proliferação de pequenos falsificadores, o comando da indústria de falsificação no País já caiu definitivamente nas mãos do crime organizado. "Não há como colocar falsificações de grandes marcas nos supermercados e no comércio varejista sem uma grande rede de distribuição. Portanto, o combate à pirataria passa necessariamente por uma grande reestruturação das estruturas de controle no País", afirmou.

Agencia Estado,

03 de maio de 2002 | 15h42

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