André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Brasil vive situação dramática na economia, diz Meirelles

De acordo com o ministro da Fazenda, a crise atual é pior que a de 1929 e levou o desemprego ao patamar atual, de mais de dez milhões de desempregados

Aline Bronzati e Francisco Carlos de Assis, O Estado de S.Paulo

23 Junho 2016 | 13h11

O Brasil vive momento da maior importância porque chegou a um ponto de decisão, de acordo com Henrique Meirelles, ministro da Fazenda. "Esse ponto é agonizado pela nossa crise econômica. Dependendo dos resultados desse ano, nós teremos a maior recessão economia brasileira desde que começou a ser medido o PIB em 1992", afirmou ele, durante palestra no CIAB, promovido pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

De acordo com ele, a crise atual é pior que a de 1929 e levou o desemprego ao patamar atual, de mais de dez milhões de desempregados no Brasil. Lembrou ainda que o cenário atual contamina o processo de funcionamento da economia, com aumento "muito grande" de incertezas, declínio nas decisões de consumo, investimento e contratação. "Tenho recebido setores da economia, industriais, por exemplo, que reportam ociosidade acima de 40%. É uma situação dramática na economia. Há pátio de fábricas parados, com investimentos recentes, em 50% de sua capacidade", destacou Meirelles.

O ministro afirmou ainda que o Brasil tem de enfrentar a situação atual. Segundo eles, estudo mostra que os países só saíram de crises através de identificação e resolução dos principais problemas que os afetavam mais diretamente naquele momento. "A tentativa desorganizada de atacar todo tipo de problema demanda muito esforço, impressiona bem em termos de resultados, mas mostram serem basicamente ineficazes", destacou Meirelles.

Rombo. Meirelles, afirmou que o déficit fiscal aprovado pelo Congresso, de R$ 170,5 bilhões, é realista e que "coisas importantes" estão sendo aprovadas pelo Legislativo. "É a partir daqui que vamos trabalhar. O crescimento de gastos daqui para frente será zero acima da inflação", disse ele. De acordo com o ministro, a crise atual do Brasil se deu em função da trajetória da política fiscal do País. Agora, acrescentou, os gastos públicos serão olhados nos próximos 20 anos.

Sobre quando a taxa de juros vai voltar a cair, ele admitiu que a Selic é alta sim e a principal razão é o risco fiscal. "Calma, nós queremos resolver o problema que é de longo prazo e não será resolvido em dois dias. Com o País voltando a crescer, trajetória da dívida vai voltar a cair", acrescentou.

Meirelles contou que é comum as pessoas o interpelarem dizendo que parece ser contraditório um governo que propõe um ajuste fiscal duro conceder aumento ao funcionalismo. Segundo ele, o aumento do salário dos servidores públicos era um acordo que foi pactuado pelo governo anterior. 

"Existia um projeto de aumento dos salários dos funcionários públicos já acertado e pactuado no governo anterior, em andamento no Congresso, um  processo legislativo normal", disse. Para ele, não há nenhuma razoabilidade em tentar bloquear o reajustes a qualquer custo. Ainda de acordo com o ministro da Fazenda, o aumento aprovado é menor que a inflação e, na realidade, em termos reais, vai cair pela primeira vez em muitos anos. "Precisamos ser objetivos. Isso está dentro do teto aprovado para as despesas com os funcionários públicos. Já estava lá e é realista. Isso não é nada contra o que vai ser predominante" afirmou.

Previdência. O ministro da Fazenda disse que a reforma da Previdência é algo complexo que envolve vários setores da sociedade e por isso requer uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) própria. "Essa questão foi discutida no mundo inteiro e tenho confiança de que isso está sendo endereçado aqui no Brasil", disse.

Segundo Meirelles, no caso da aprovação de uma PEC específica para a Previdência, as previsões mais otimistas dão conta de que ela entraria em vigor em três meses. Nas mais pessimistas, até o fim do ano. "Eu prefiro não fazer a minha avaliação", afirmou.

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