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Brasil volta a ter saldo negativo nas contas externas

Resultado reflete o aumento da saída de lucros e dividendos, que são impulsionados pelo real mais forte

Agência Estado e Reuters,

28 de novembro de 2007 | 11h06

O Brasil voltou a registrar saldo negativo em suas transações com o resto do mundo em outubro, após dois meses de resultado positivo. Mais uma vez o resultado reflete as remessas de lucros e dividendos, que vêm crescendo há alguns meses por duas razões: o câmbio valorizado e o aumento no estoque de investimentos estrangeiros diretos (IED).    De acordo com dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta quarta-feira, o déficit em transações correntes - registro contábil de todas as transações de um país com outros países do mundo - foi de US$ 42 milhões no mês passado, ante resultado positivo de US$ 1,536 bilhão em outubro do ano passado.   O fato é que, quando o câmbio está valorizado, as empresas podem enviar para suas matrizes no exterior mais dólares a cada real que obtêm de lucro. Além disso, o crescimento do Investimento Estrangeiro Direto (IED) gera um estoque de negócios que, ao produzir lucros, impacta a conta de remessas ao exterior.   Os investimentos estrangeiros diretos no País somaram US$ 3,188 bilhões em outubro, frente a US$ 1,722 bilhão em igual mês de 2006.  No acumulado de janeiro a outubro deste ano, o IED soma US$ 31,2 bilhões, o correspondente a 2,94% do PIB, ante US$ 13,628 bilhões - 1,54% do PIB - em 2006.   Já os investimentos de brasileiros no exterior somaram US$ 4,147 bilhões em outubro, resultando no ano em uma saída de US$ 812 milhões. É uma inversão do resultado até o mês anterior. Até setembro, o acumulado do investimento brasileiro no exterior registrava um resultado líquido de US$ 3,335 bilhões. O resultado foi revertido em outubro, com o investimento mais acentuado do brasileiro no exterior.   O chefe do Departamento econômico do Banco Central informou que a remessa de lucros e dividendos em novembro até hoje já somam US$ 1,740 bilhão. Segundo ele, o aumento das remessas é um dos principais fatores que explica a redução do superávit em conta corrente neste ano. Para novembro, Altamir prevê que a conta corrente terá déficit de US$ 700 milhões.   Expectativa era pior   O resultado, contudo, veio melhor do que o esperado pelo Banco Central e pelos analistas do mercado. Analistas consultados pela Reuters esperavam um déficit de US$ 100 milhões, de acordo com a mediana das projeções. O próprio BC havia estimado para outubro um déficit de US$ 500 milhões para as transações correntes brasileiras com o resto do mundo.   O saldo do balanço de pagamentos é resultado da soma das transações correntes - balança comercial e remessas ao exterior - mais a conta de capitais - Investimento Estrangeiro Direto. No resultado de outubro, a balança comercial foi positiva em US$ 3,439 bilhões, mais um saldo negativo de US$ 3,785 bilhões na conta de serviços e renda, e transferências unilaterais de US$ 304 milhões.   No acumulado do ano, a conta corrente registra saldo positivo de US$ 5,597 bilhões, o equivalente a 0,53% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 12 meses até outubro, o superávit em transações correntes corresponde a 0,60% do PIB, ante superávit de 0,74% do PIB em 12 meses até setembro.   Dívida   A dívida externa total do Brasil atingiu US$ 194,610 bilhões em outubro, de acordo com as estimativas do BC. O número é maior do que a estimativa de setembro, de US$ 193,720 bilhões. A última posição fechada desse indicador é de junho (mês 6), quando a dívida somava US$ 191,358 bilhões.   A dívida de curto prazo subiu entre as estimativas de setembro e outubro de US$ 41,052 bilhões para US$ 41,610 bilhões. Em junho, o valor era de US$ 45,905 bilhões. A dívida de médio e longo prazo subiu, na mesma base de comparação, de US$ 152,668 bilhões, para US$ 153,0 bilhões. Em junho, o valor era de US$ 145,453 bilhões.    

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