Brasil voltará a atrair investidores, diz Pastore

Quando o PIB mundial cai, o dos países emergentes, como o Brasil, também cai. É o chamado efeito dominó. Mas, no caso presente, em razão da recessão que a guerra no Iraque provocará nas economias dos Estados Unidos e da Europa, o Brasil desta vez passará praticamente incólume. Isso porque a taxa de juros nos Estados Unidos, no Canadá e nos países da Comunidade Européia é a mais baixa nas últimas décadas, o que estimulará o aumento do fluxo de capitais para o País. A conclusão é do economista Affonso Celso Pastore, ao analisar no Espaço Aberto, da Globo News, os efeitos que a guerra no Iraque na economia brasileira. Segundo ele, nestas ocasiões, o investidor reduz sua aversão ao risco, em busca de uma melhor remuneração para suas aplicações."Apesar de o mundo não se beneficiar de forma nenhuma com a guerra, contrariamente ao senso comum de que guerra poderia expandir o PIB, a guerra é sempre má. Mas, nesta circunstância de liquidez internacional, o Brasil está relativamente isolado do problema guerra." Para o ex-presidente do Banco Central, um fator que poderia prejudicar mais o País seria o aumento nos preços do petróleo, o que acabou não acontecendo. Elogios a LulaPastore também analisou os primeiros cem dias do governo Lula, dizendo-se agradavelmente surpreso com a política macroeconômica adotada pela equipe do ministro Antônio Palocci. Disse que foi muito acertada a decisão do governo de elevar o superávit primário para 4,25%, meta que, segundo ele, é perfeitamente factível e que poderá até mesmo ser maior."As receitas previstas para esta meta (4,25%) são realistas, as despesas orçadas não estão subestimadas e, se tivermos a reconstrução da confiança, da forma como está planejada pelo governo, e se (o governo) tiver sucesso em aprovar pelo menos a reforma da Previdência a reforma tributária, a minha impressão é que o risco Brasil cai de uma forma significativa e isso tende a produzir alguma valorização cambial adicional, o que alivia a relação dívida-PIB."Compromisso fiscalNa avaliação de Pastore, as circunstâncias atuais demonstram que o governo Lula está caminhando corretamente em sua estratégia de ajuste fiscal, embora ressaltasse que esse ajuste ainda está longe de ser complementando. "Você tem notado que a grande ênfase do ministro Palocci, nesta parte de política macroeconômica, é a qualidade do compromisso fiscal que eles estão assumindo. Acho que este é o compromisso deles que mais merece aplausos nossos. Na medida em que o Brasil conseguir aprofundar o ajuste fiscal, o risco País cai. Nenhum de nós tem dúvida sobre isso."Veja o balanço dos 100 dias do governo LulaVeja o índice de notícias sobre as reformasVeja o especial :

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