Brasil x Argentina: agora, é a guerra do vinho

Uma invasão de vinhos argentinos baratos está ameaçando o Chapinha e o Sangue de Boi, as mais populares marcas brasileiras. Produtores e distribuidores de vinho estão pedindo ao governo a imposição de cotas e preços mínimos para os vinhos argentinos. Segundo a Câmara Setorial do Vinho, a venda de vinhos brasileiros vai cair 30% este ano por causa da "invasão" do produto argentino.Os vinhos argentinos entram no País sem tarifas de importação, porque o país é sócio do Mercosul. Além disso, a carga tributária sobre o vinho nacional é de 46%, e a dos argentinos, só 17%. A competição é mais acirrada no segmento de vinhos populares, os chamados "suaves" (adoçados). O vinho argentino Torito, vendido a R$ 4,90, em média, desbancou o Sangue de Boi, que sai por R$ 6,30, do posto de vinho mais em conta. O argentino Toro, que vem em embalagem Tetrapack de um litro, custa cerca de R$ 3,90 - mais barato que o ultrapopular Chapinha, de R$ 4,50."Eles fizeram a guerra das geladeiras e vamos fazer a guerra do vinho", disse Antonio Salton, vice-presidente da União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra) e diretor-superintendente da vinícola Salton. "Os argentinos estão desovando vinhos de má qualidade no mercado brasileiro", atacou.Segundo a Uvibra, os argentinos venderam 1,6 milhão de litros de vinho no Brasil há quatro anos. No ano passado, foram 5,25 milhões de litros.Televisores e máquinas de lavarA imposição de tarifa de importação de 21,5% para os televisores produzidos na Zona Franca de Manaus, publicada pelo governo argentino, foi considerada pelos fabricantes brasileiros como uma decisão que fere os princípios do Mercosul e atinge a indústria instalada no Brasil. O presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Paulo Saab, afirma que é preciso comprovar que o aumento das vendas brasileiras constitui ameaça à indústria local. O governo brasileiro já solicitou à Embaixada do Brasil na Argentina o parecer que deu origem à emissão da resolução para conhecer os fundamentos e contestações cabíveis à medida.Também devem ser retomadas as negociações sobre as exportações de máquinas de lavar para a Argentina. Segundo o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, a retomada das negociações deverá ter um formato diferente do seguido até agora. "Ao invés de se estabelecerem restrições voluntárias por um largo período de tempo, talvez ocorra um monitoramento de dois meses do comércio para se ter uma avaliação mais completa", esclareceu o ministro.

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