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Brasil zera imposto de importação de trigo extra Mercosul

O governo brasileiro decidiu reduzirpara zero a alíquota de importação que incide sobre o trigo depaíses que não fazem parte do Mercosul, atendendo pedido dosprocessadores locais, informou a Câmara de Comércio Exterior(Camex) nesta quarta-feira. A decisão da Camex, órgão formado por sete ministros, foipublicada no Diário Oficial desta quarta-feira e vale para umacota de 1 milhão de toneladas de trigo, até 30 de junho de2008, quando provavelmente haverá uma nova avaliação da listade exceções do Mercosul. De acordo com a assessoria de imprensa da Camex, a inclusãotemporária do trigo na lista de exceções do Mercosul permitiuque a taxa (TEC, Tarifa Externa Comum) fosse reduzidaunilateralmente pelo governo brasileiro, sem a necessidade deautorização de países do bloco como a Argentina, tradicionalfornecedor do cereal ao Brasil. A redução da tarifa foi efetivada porque os ministrosconsideraram os registros de exportação liberados pelaArgentina até o momento insuficientes para atender à demandabrasileira. "O Brasil avaliou que o trigo liberado pela Argentina erainsuficiente. O motivo é para não faltar trigo no mercadointerno", informou a assessoria da Camex. Na semana passada, os ministros anunciaram que iriamavaliar uma decisão da Argentina que liberou exportaçõesadicionais de 2 milhões de toneladas, no mesmo dia do encontroda Camex. Com isso, a tarifa não foi alterada imediatamente. A cota de 1 milhão de toneladas equivale a cerca de 10 porcento do consumo anual de trigo do Brasil. Antes de a Argentina liberar registros para mais 2 milhõesde toneladas, o país vizinho havia autorizado exportações de 7milhões de toneladas, das quais o Brasil conseguiu comprarcerca de 3 milhões de toneladas. Os registros de exportação de trigo na Argentina ficaramsuspensos até pouco antes da reunião da Camex, no dia 29 dejaneiro. E, segundo informações da indústria, o volume de 2 milhõesde toneladas liberado pelos argentinos naquele dia nãoatenderia às necessidades brasileiras, uma vez que outrospaíses também buscarão o produto argentino. Toda a lista de exceção da TEC foi publicada apenas nestaquarta-feira. A publicação não ocorreu antes em função doferiado de Carnaval, segundo a Camex. INDÚSTRIA QUER MAIS O presidente do Conselho Deliberativo da AssociaçãoBrasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Luiz Martins,considerou importante a decisão da Camex, mas observou que acota sem tarifa é insuficiente para atender as necessidades. "Pelo menos saiu 1 milhão, mas não satisfaz, precisamos de4 milhões de toneladas. Esses 2 milhões de toneladas daArgentina eu não sei se vêm para o Brasil", afirmou Martins,por telefone. Segundo Martins, uma cota maior para compras sem tarifafora do Mercosul deveria ter sido liberada agora, pois, se ogoverno esperar para autorizar um volume adicional no final dejunho, isso poderia pressionar os preços na entrada da safranacional, que começa a ser colhida em meados de setembro. O analista de trigo da Conab (Companhia Nacional deAbastecimento), Alex Chaves, afirmou que provavelmente o volumede trigo comprado dentro da cota virá dos Estados Unidos ou doCanadá, países que tradicionalmente suprem a diferença entre oque o Brasil precisa comprar fora do Mercosul. Em 2007, o Brasil importou 6,6 milhões de toneladas, sendo5,6 milhões de toneladas da Argentina. O volume importado dopaís vizinho só não foi maior devido a restrições do governoargentino, que busca preservar a oferta no mercado interno. Dos EUA e do Canadá, mesmo pagando a tarifa de 10 porcento, o Brasil importou aproximadamente 700 mil toneladas noano passado. Para comprar trigo de países da região do Mar Negro, o queseria uma alternativa ao trigo norte-americano ou canadensedentro da cota sem tarifa, o frete mais caro praticamenteinviabiliza os negócios, segundo Chavez. (Edição de Marcelo Teixeira)

ROBERTO SAMORA, REUTERS

06 de fevereiro de 2008 | 18h36

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