Brasileira está na lista das executivas mais influentes

Celina, presidente da Cushman & Wakefield, é a única representante de países da América Latina no ranking

Ana Paula Lacerda, O Estadao de S.Paulo

24 Dezembro 2008 | 00h00

Com um sorriso tímido, a presidente da empresa de serviços imobiliários Cushman & Wakefield para a América do Sul, a brasileira Celina Antunes, diz: "Não sei como eu fui parar aí. Acho que eles queriam ter pelo menos uma mulher de cada continente." O "aí" a que ela se refere é a lista de "50 mulheres que devemos observar" no mundo dos negócios, divulgada anualmente pelo periódico americano The Wall Street Journal. Celina é a única representante dos países latino-americanos. Ela aperece como a 49.ª de uma relação encabeçada pela presidente do conselho do Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC) dos EUA, Sheila Bair, e a CEO da Pepsico, Indra Nooyi. As 50 finalistas foram escolhidas por uma banca entre as 500 mulheres mais indicadas por executivos do mundo todo. "Um dia, um jornalista de lá me ligou. Fez umas perguntas sobre minha carreira, mas foi algo rápido. Um tempo depois, recebi milhares de e-mails me parabenizando por estar na lista. Fiquei muito surpresa", diz a executiva, que não se reconheceu na foto do WSJ. "Quando chegaram os primeiros e-mails, corri para olhar o jornal e não me achei. Depois vi a foto, mas tinha tanto photoshop que parecia outra mulher", brinca. A brasileira de 45 anos completados em outubro está há 13 anos na C&W Brasil e há seis ocupa o cargo de presidente para a América do Sul. No ano passado, chamou a atenção no setor de negócios imobiliários por comandar a negociação que culminou na venda da sede do extinto BankBoston, na capital paulista, por US$ 150 milhões. Anualmente, a Cushman & Wakefield tem registrado um crescimento na casa de 40% no Brasil. Formada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Mackenzie de São Paulo, e com mestrado pela Business School de Stanford, Celina trabalhou com arquitetura (já foi parceira de Arthur Casas) e também teve seus próprios negócios até entrar na C&W. "Aqui, entrei por causa da arquitetura, mas acho que cresci por saber lidar com gente", comenta. A arquitetura virou um hobby. "Faço projetos só para mim e para aquelas amigas que não se importam de esperar meses para receber um desenho." Desde o início da crise econômica, a executiva ligou pessoalmente para vários clientes, para confirmar que os projetos continuariam. "Temos uma relação muito boa há anos, ela é muito clara e organizada", diz Daniel Citron, presidente da incorporadora Tishman Speyer no Brasil, um dos clientes da Cushman&Wakefield. "E está sempre de bom humor. O setor imobiliário é muito masculino, há poucas mulheres em cargos de liderança." E não apenas nesse setor a presença de mulheres é pequena. De acordo com a empresa de pesquisas nova-iorquina Catalyst, apenas 15,4% das presidências e vice-presidências das 500 maiores empresas do mundo segundo a Forbes são ocupados por mulheres. O número já foi maior: em 2005, eram 16,4%. OTIMISMO Apesar da crise econômica, Celina é otimista. "2009 será um hiato, mas em 2010 tudo volta ao normal", diz . "Até porque o mercado imobiliário aqui não é tão complexo quanto o dos Estados Unidos." Ela acredita que haverá uma recuperação rápida. "Haverá conseqüências, claro. Mas nós, brasileiros, somos gatos escaldados. Já vimos crises de todos os jeitos e chegamos ao nível de crescimento que estávamos. Eu acredito que vamos conseguir de novo.''

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