Brasileiro ainda não sente queda do peso argentino

Brasileiro ainda não sente queda do peso argentino

Apesar da desvalorização da moeda argentina, viajantes afirmam que país continua caro

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

19 Maio 2018 | 04h00

No tradicional centro de compras turístico de Buenos Aires, a rua Florida, a desvalorização do peso argentino em relação ao dólar – que já chega a 19% neste mês e a 31% no acumulado do ano – ainda não anima os brasileiros, que afirmam que o país continua com preços altos. 

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“A inflação aqui foi pesada. É mais caro tomar um café aqui do que no Brasil”, disse o gaúcho Christian Hackbaerth, de 37 anos. O empresário do setor hoteleiro costuma ir à Argentina há dez anos e começou a notar preços mais altos há quatro anos. “Para mim, aqui sempre foi mais barato que o Brasil. Agora, está tudo meio carinho”, acrescentou.

A fluminense Silvia Lugon, de 47 anos, viaja a Buenos Aires uma vez por ano desde seus 15 anos. Ela conta que, há três anos, começou a se “assuntar” com os preços locais. No ano passado, por exemplo, enquanto a inflação argentina avançou 24,8%, o peso perdeu 17,3% de seu valor, fazendo com que os preços subissem também para os que chegam com dólares. Nas férias deste ano, Silvia acabou reduzindo os gastos. “Estamos comprando menos de tudo. Sendo mais racionais. Só vinho ainda vale a pena comprar aqui”, contou. Segundo a empresária, hoje é vantajoso levar reais em espécie para fazer compras. Lojas de perfume que aceitam a moeda brasileira usavam a cotação de oito pesos para cada R$ 1 nesta semana, de acordo com Silvia. Nos bancos, o real era trocado por cerca de seis pesos. “Sempre trazemos metade do dinheiro em real e metade em peso, porque muitos lugares aceitam real por um valor melhor”, disse a filha de Silvia, a advogada Ana Beatriz Lugon, de 24 anos. 

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A economista Soledad Perez Duhalde, da consultoria Abeceb, afirma, porém, que, por causa da desvalorização acelerada do peso, há produtos que já estão mais baratos na Argentina do que no Brasil quando seus preços são comparados em dólares. Ela cita como exemplo o litro de leite, que sai, em média, por US$ 0,69 na Argentina, enquanto, no Brasil, custa US$ 0,80.

Há pouco mais de dois anos, quando a Abeceb fez esse mesmo levantamento, o produto era encontrado no Brasil por US$ 0,73 e, na Argentina, por US$ 0,88. “O valor do dólar passou, muito rapidamente, de 20 pesos para 25 pesos. Esses preços (das mercadorias) são momentâneos, já que a conjuntura está muito volátil”, analisa Soledad. “Com a inflação, tudo pode mudar”, destaca. Economistas argentinos estão preocupados com a possibilidade de a desvalorização do peso pressionar a inflação, que poderá, por sua vez, fazer com que a moeda se desvalorize novamente, um realimentando o outro.

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