Brasileiro chefe do Android anuncia saída do Google

Hugo Barra, até então responsável pela plataforma móvel, vai comandar a expansão internacional da fabricante chinesa Xiaomi

THE NEW YORK TIMES , O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2013 | 02h24

O brasileiro Hugo Barra, executivo responsável pela divisão Android no Google, deixará a empresa e será vice-presidente da fabricante chinesa de smartphones Xiaomi. A empresa informou que ele foi contratado para comandar seus planos de expansão internacional. No mercado, especula-se que a saída de Barra esteja relacionada a um caso amoroso.

Barra é um dos ocidentais mais proeminentes a entrar numa empresa de tecnologia chinesa. "Ele é uma figura importante no setor e no Google", disse Pete Cunningham, um analista da empresa de pesquisa Canalys. "Isso ressalta uma tendência: os fabricantes chineses terão um grande papel em moldar o futuro do setor."

A Xiaomi é uma de várias fabricantes chinesas de smartphones que vêm conquistando mercado na China contra rivais estrangeiras como Apple e Nokia. Até recentemente, essas empresas chinesas pareciam se contentar em aumentar suas vendas na China. Agora, companhias como Xiaomi, Lenovo e Huawei parecem interessadas numa expansão internacional.

A Xiaomi controlava 5% do mercado de smartphones na China no segundo trimestre, segundo a consultoria Canalys. É bem menos do que a líder, a sul-coreana Samsung, que detém 18%. Mas é um pouco mais do que a americana Apple, que tem 4,8% do mercado chinês.

Apesar de venderem principalmente no mercado doméstico, as marcas de smartphones chinesas já respondem por cerca de um quinto das vendas mundiais, segundo a Canalys. Incluindo smartphones feitos na China para marcas estrangeiras como a Apple, porém, a produção chinesa responde pela maioria das vendas globais.

A Xiaomi recentemente melhorou suas projeções de vendas para 20 milhões de smartphones por ano. A estimativa anterior era de 15 milhões de unidades. Lei Jun, diretor presidente da Xiaomi, disse este mês que a companhia havia levantado novos financiamentos de investidores estrangeiros num negócio que elevou o valor da fabricante a US$ 10 bilhões.

Barra disse, numa declaração na rede social Google Plus, que pretendia ajudar a Xiaomi a "expandir globalmente sua incrível empresa e portfólio de produtos". "Estou realmente olhando para o futuro com este novo desafio, e estou particularmente empolgado com a oportunidade de continuar ajudando a promover o ecossistema Android", escreveu.

Mais barato. O grande impulsionador da venda dos smartphones chineses tem sido o preço. A Xiaomi vende telefones por cerca de US$ 180 a US$ 300, segundo a Counterpoint Technology Market Research. Isso é menos da metade do preço de telefones de ponta da Samsung e da Apple, embora ligeiramente acima de aparelhos com recursos comparáveis de muitas outras marcas chinesas.

"Os telefones não são necessariamente superiores, mas fizeram muito barulho", disse Tom Kang, analista da Counterpoint. "Eles perceberam que a diferenciação que se pode fazer agora com hardware ou software é marginal, e que o futuro está no marketing."

Pensando nisso, Lei Jun copiou Steve P. Jobs, o cofundador da Apple, organizando apresentações de produtos em palco nas quais ele aparece de jeans e camisas pretas.

O design da Xiaomi também é inspirado nos telefones da Apple, mas há uma diferença importante: eles rodam uma versão do Android. Embora o Google tenha retirado boa parte de seus negócios da China continental há três anos, seu software Android é usado em mais de 90% dos smartphones no país.

Sobre a saída de Barra, o Google deu uma declaração: "sentiremos sua falta e estamos contentes por ele se manter dentro do ecossistema Android". / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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