Brasileiro compra vinícola em Portugal

Em um ano, nove brasileiros investiram € 9,8 milhões no país para obter visto especial; no total, programa já capturou € 200 milhões de 21 países

ANNA CAROLINA PAPP, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2013 | 02h13

Marcelo Faria Lima sempre foi um apreciador de Portugal - bem como de vinhos, com destaque para o branco, seu favorito no momento. Após a crise de 2008, o empresário começou a procurar novas oportunidades de investimento e passou a fazer sucessivas viagens à terra de nossos colonizadores em busca de oportunidades. Uma iniciativa do governo português o levou a, neste ano, adquirir sua segunda quinta na região do Douro e a expandir os projetos de exportação dos vinhos que produz.

Lima é um dos nove brasileiros que, juntos, investiram € 9,8 milhões em Portugal por meio da Autorização de Residência para Atividade de Investimento (ARI), que completou seu primeiro ano em outubro. O programa, também chamado de "Golden Visa", facilita a concessão de visto e até de cidadania a interessados de países fora da União Europeia que colocarem dinheiro em Portugal. O empresário deve adquirir um imóvel de, no mínimo, € 500 mil, abrir um negócio que gere a contratação de dez funcionários ou ainda investir € 1 milhão no mercado financeiro.

Até agora, foram concedidas 320 autorizações especiais para investidores de 21 países, totalizando um montante de € 200 milhões. O Brasil é o terceiro maior investidor do grupo, atrás apenas de China e Rússia.

"Para o perfil da economia brasileira, ainda em fase de internacionalização, Portugal oferece uma oportunidade confortável, com risco controlado, de acesso a um espaço europeu", diz Paulo Lourenço, cônsul-geral de Portugal em São Paulo, que destaca como atrativo do programa a possibilidade pelo espaço Schengen - países membros da União Europeia. "Queremos que Portugal seja cada vez mais a porta de entrada dos brasileiros na Europa. Há a facilidade da língua e da cultura, fora a relação histórica", afirma.

O visto especial deve ser renovado ao final de um ano e, depois, a cada dois anos. O investidor precisa comprovar estadia em território português de, no mínimo, sete dias em cada período anual. Após cinco anos, pode solicitar residência permanente e, depois de seis, a cidadania portuguesa.

"Viajava com frequência para lá e vi que o Golden Visa me ajudaria com a burocracia de entrada em saída", diz Lima, que costuma ir a Portugal de cinco a sete vezes por ano. O empresário adquiriu sua primeira propriedade em 2011, de 50 hectares. Para ingressar no programa, comprou outra quinta em janeiro, desta vez de 77 hectares.

A maioria dos brasileiros optou pela compra de imóveis, sobretudo vinícolas, de olho em marcas que carregam anos de tradição, mas estavam em busca de capital para reparar os danos da crise europeia. Há, contudo, quem prefira apostar em sua área de expertise, como um veterano do mercado financeiro que ingressou no programa por compra de ações. "Sou um fervoroso admirador de Portugal. Pessoas boas, vinho bom", diz. O empresário, de 55 anos, no momento impedido de trabalhar no mercado financeiro aguardando o fim de um período de não-concorrência, viu na facilidade de acesso à Europa uma oportunidade atraente, e até considera a possibilidade de morar em Portugal mais para frente.

Nenhum dos dois empresários se mostra preocupado com a situação econômica do país. "Quando uma economia está em recessão, essa é a hora certa de investir, porque você vai ter naturalmente uma valorização dos ativos", diz o cônsul Paulo Lourenço. Para ele, "há um lado B da crise", como o aumento das exportações portuguesas.

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