Brasileiro deixa até resgate do FGTS para a última hora

Brasileiro deixa até resgate do FGTS para a última hora

Fim do prazo para saque das contas inativas nesta segunda-feira é de longa espera nas agências da Caixa

Douglas Gavras, O Estado de S.Paulo

31 Julho 2017 | 20h45

O cenotécnico paulista Marcio Zunhiga Dias, de 47 anos, fez aniversário em agosto, já poderia ter sacado os recursos de suas contas inativas do FGTS há pouco mais de dois meses, mas deixou para ir à Caixa na última hora. Ele era o último da fila do atendimento de uma agência do banco na Avenida Paulista, em São Paulo, às 16h de hoje, quando o atendimento ao público foi encerrado e terminou o prazo para resgate do Fundo de Garantia.

A liberação dos recursos do FGTS era uma das vitrines do presidente Michel Temer para aquecer a economia. No início do ano, quando anunciou o calendário de resgates do FGTS, o governo estimou que os saques das 49,6 milhões de contas inativas injetariam cerca de R$ 30 bilhões na economia, ajudando a estimular tanto o consumo quanto a quitação de dívidas.

Os recursos que estavam na conta do FGTS vêm em boa hora. Há cerca de 18 anos, Dias é um dos responsáveis pela montagem e confecção dos cenários dos espetáculos apresentados no Teatro do Sesi-SP, no Centro Cultural Fiesp, na Avenida Paulista.

Com a crise, o setor acabou reduzido. Ele, que trabalha ao lado de três agências da Caixa, culpa a falta de tempo para ter esperado até o último minuto para resgatar o dinheiro. 

Pai de seis filhos, com idades entre 6 e 22 anos, ele pretende usar o dinheiro que estava preso no fundo de garantia para trocar o monitor do computador, pagar algumas contas atrasadas e guardar o restante na poupança. “Vai render pouco do mesmo jeito, mas não vai ser tão ruim quanto o FGTS e, lá na frente, a gente vai poder usar o dinheiro como quiser.” 

Os últimos minutos de atendimento nas unidades da Caixa foram de filas. Na maior agência do banco na avenida Paulista, quem deixou para o fim do dia para resgatar o FGTS teve de esperar quase uma hora para conseguir sair com o comprovante de saque.

O bancário Altair Gallassi, de 50 anos, por pouco não desistiu de ir ao banco. “O saldo das contas era tão baixo, que pensei que nem valeria a pena enfrentar a fila. Foi minha mulher que convenceu e ela tem razão, a gente nunca sabe quando vai precisar de um dinheirinho a mais.”

++ O que acontece com o seu dinheiro se você não sacar o FGTS?

O auxiliar de limpeza urbana Jenivaldo Correira, de 47 anos, já poderia ter sacado seu FGTS há um mês, mas disse ter se acomodado. “Não é que eu deixe tudo para a última hora, mas quando o prazo é muito longo, a gente sempre acha que no dia seguinte vai ter mais tempo, que a fila vai ser menor.” Ele agora espera usar os cerca de R$ 1.200 que têm de saldo para sair da casa da irmã e começar a pagar o aluguel de um cômodo na zona leste de São Paulo.

A administradora de empresas Fabíola Leite, de 44 anos, não se espantou com as filas. Ela, que quer saldar dívidas, tirou a tarde para ir ao banco. “Ainda não tinha consultado o saldo e nem deve ser muito, mas quem é que recusa dinheiro em uma crise dessas?”

Problemas. Logo no início da manhã de ontem, houve registro de problema em algumas agências da Caixa em São Paulo, onde o sistema para consulta e saque dos recursos do FGTS teve funcionamento intermitente, segundo a instituição. A falha, porém, teria sido resolvida antes mesmo da abertura das agências.

O banco estatal ainda não divulgou o balanço final sobre o processo de saque das contas – o que deve ser apresentado nos próximos dias. O balanço mais recente, divulgado em 20 de julho, indicava que cerca de 5 milhões de trabalhadores ainda não haviam sacado o dinheiro das contas inativas – grupo que mantinha cerca de R$ 700 milhões depositados. 

O saldo das contas ativas e inativas continuará a ser remunerado pela regra geral que prevê correção monetária mais juros de 3% ao ano. O rendimento é cerca de metade do pago pelas cadernetas de poupança. / COLABOROU FERNANDO NAKAGAWA 

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