Brasileiro deve 35% da renda anual

Endividamento das famílias atingiu no primeiro trimestre deste ano o índice mais alto desde o início de 2004

Edna Simão e Adriana Fernandes, O Estadao de S.Paulo

27 de junho de 2009 | 00h00

O endividamento das famílias brasileiras no primeiro trimestre do ano atingiu o maior nível desde o início de 2004. Segundo relatório trimestral de inflação divulgado ontem pelo diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Mário Mesquita, as dívidas passaram a representar 34,8% da renda anual dessas famílias. Em apenas dois anos, a taxa aumentou oito pontos porcentuais. Em março de 2007, estava em 32,7%. Apesar de elevado, o número não chega a assustar o BC e os analistas de mercado. Segundo o BC, a queda dos juros e o alongamento dos prazos para quitação dos débitos devem diminuir o comprometimento da renda das famílias, abrindo espaço para aumento do consumo. A inclusão dos dados no relatório de inflação chamou a atenção dos analistas porque o nível de comprometimento de renda com dívidas caiu. Em março estava em 25,3%, o que representou uma diminuição de 0,8 ponto porcentual em relação ao fim do ano passado. No último trimestre de 2008, o comprometimento da renda chegou a 26,1% - nível mais elevado desde os três primeiros meses de 2004. O comprometimento mede quanto da renda mensal familiar é usado no pagamento de dívidas e prestações. Para o BC, tendência é de redução desse indicador, o que poderá estimular o consumo no segundo semestre. No relatório, o BC explica que, com o agravamento da crise global, o custo do crédito subiu, fazendo com que o endividamento e o comprometimento da renda para pagamento dos débitos subissem consideravelmente. "A partir do terceiro trimestre de 2008, o endividamento passa a apresentar tendência de desaceleração, comportamento consistente com o arrefecimento das contratações (de empréstimos)", destacam os técnicos do BC no relatório. Em 2008, a parcela da renda destinada para pagamento de dívida disparou por conta da alta de juros. "Em 2009, observa-se novo declínio, explicado primariamente, pela redução das taxas", frisam os diretores no relatório. Na avaliação da economista-chefe do Banco ING, Zeina Latif, se a parcela da renda destinada à quitação de dívidas continuar diminuindo, os atuais níveis de inadimplência também devem cair, o que pode "resultar um consumo maior no segundo semestre". Na quinta-feira, o BC divulgou que a taxa de inadimplência das pessoas físicas chegou 8,6% em maio, a mais alta desde o início da série, em junho de 2000. As previsões sobre aumento da capacidade de compra são importantes porque o consumo dos brasileiros, ao lado dos gastos do governo, tem sustentado o crescimento econômico nos últimos anos. Para o BC, em 2009 não será diferente. O relatório prevê que a economia crescerá 0,8% neste ano, e o consumo das famílias deve subir 1,5%. Já as despesas do governo devem subir 2,8%.

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