Brasileiro deve, em média, R$ 3.724

Dívida dos consumidores cresceu muito, mas prazos de pagamento aumentaram, o que aliviou o comprometimento da renda mensal

FERNANDO NAKAGAWA / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2011 | 03h05

Nos últimos três anos, clientes aproveitaram a oferta de crédito nos bancos e aumentaram sua dívida com as instituições financeiras em R$ 320 bilhões. Nesse mesmo período, a massa salarial mensal dos trabalhadores cresceu R$ 36,9 bilhões. Os números revelam que, grosso modo, brasileiros tomaram R$ 865 em novos empréstimos para cada R$ 100 de aumento da renda. E cada um dos mais de 192 milhões de brasileiros deve hoje R$ 3.724 para as financeiras e bancos.

Apesar desse impressionante aumento do endividamento, o orçamento familiar não foi tão castigado. Dados do Banco Central mostram que a fatia do salário mensal comprometida com o pagamento de parcelas e carnês aumentou em ritmo considerado gradual pela instituição.

Em setembro de 2008, quando a crise financeira passada teve início e o governo passou a incentivar o crédito, brasileiros usavam 18,3% da renda mensal para pagar dívidas. Em agosto de 2011, o comprometimento do salário alcançou 21,9%.

A explicação para uma diferença tão grande de ritmo no aumento da dívida e do comprometimento de renda está nos prazos e na taxa cobrada nos financiamentos. Atualmente, empréstimos às pessoas físicas têm prazo médio de 584 dias. Três anos atrás, eram 118 dias a menos para quitar as operações.

Hoje em dia, mesmo que a dívida seja maior, clientes têm mais tempo para pagar e, portanto, os pagamentos são diluídos em mais parcelas.

Outro motivo está no custo da operação. Apesar de o Brasil continuar com um dos juros reais mais altos do mundo, as taxas têm caído gradativamente. Em setembro de 2008, o juro médio pago pelas famílias estava em 53% ao ano. Agora, é de 45,7%.

"Os dados mostram que o comprometimento da renda tem evolução gradual. Isso mostra que o aumento do crédito aconteceu, pelo menos até agora, de maneira prudente porque não reduziu drasticamente a capacidade financeira dos clientes", diz o professor de finanças de Ibmec, Ricardo José de Almeida. Para ele, os dados ainda mostram situação adequada e confortável. "Mas é preciso observar a evolução da inadimplência na crise. Se os atrasos crescerem muito, a luz de alerta acende e será preciso revisar a estratégia."

O cruzamento de dados do BC mostra que brasileiros pagaram R$ 32,45 bilhões em parcelas, carnês e outros pagamentos de dívida no último mês de agosto. Desse valor, pouco menos de dois terços - 63,9% ou R$ 20,7 bilhões - foram destinados ao abatimento da dívida propriamente dita, a chamada amortização da operação. O restante - de 36,1% ou R$ 11,7 bilhões - foi destinado para pagar os juros cobrados no financiamento.

Novas medidas. O governo deve continuar nas próximas semanas e a equipe econômica estuda mais incentivos à economia - muitas delas no sentido de aumentar a oferta de crédito. O Estado mostrou nos últimos dias que medidas têm sido debatidas em Brasília: como a retirada de impostos dos empréstimos e a liberação de parte do dinheiro dos bancos que é retido no BC, o chamado depósito compulsório. Além disso, o juro, deve continuar em queda.

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